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Portugal

O ponto de encontro do Airsoft nacional

Guia do Airsoft

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O Airsoft é, acima de tudo, uma diversão. Mas apenas funciona se depender de algumas regras essenciais, como qualquer outro jogo. Neste artigo, damos aos nossos leitores um guia essencial para a prática do Airsoft, que pode servir de consulta para quem se queira iniciar, mas também para quem pretenda mostrar a outros afinal o que é isto de andar aos tiros “a fingir”.

Lei é Lei, e muito se pode dissertar sobre a lei das armas, algo que aliás é feito intensivamente em fóruns e redes sociais, de forma mais ou menos fundamentada.

Mas esse não é o objetivo deste texto, pelo contrário, pretende-se simplificar. Assim sendo, o que todos os recém-chegados à modalidade têm de saber é que efetivamente existem leis que regulam a prática do Airsoft em Portugal. Tal como o nome indica, são leis publicadas em Diário da República, sujeitando todos ao seu cumprimento, sob pena de sofrerem as consequências, que passam desde a apreensão de material até coimas que podem atingir valores de milhares de euros. E estas leis passam por dois fatores simples e um mais complicado: a inscrição em Associação de Promoção de Desporto vocacionada à prática do Airsoft, alguns requisitos básicos em relação às armas que utilizamos, e a participação em eventos legais.

Legislação:

Em relação às APD, existem várias em Portugal, com preços desde os 12 euros anuais. A escolha de uma APD depende das preferências pessoais de cada um, sendo que recomendo que pesquisem e indaguem as mesmas sobre aquilo que oferecem ao praticante. Uma APD é legal desde que esteja inscrita no Instituto Português do Desporto e Juventude e seja reconhecida pela Polícia de Segurança Pública, que é quem, em última análise, regula o Airsoft nacional. Considera-se “legal” o praticante maior de 16 anos que, após o devido pagamento, detenha prova de inscrito em uma dessas APD, seja ela um cartão ou um simples comprovativo de pagamento.

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Já no que toca às armas, os requisitos para estarem legais são também eles bastante simples: estarem limitadas à potência de 1.2 joules (que se traduzem em 374 FPS de velocidade, medidos com BB de gramagem 20), e estarem pintadas de acordo com a lei vigente, ou seja, 10 cm na parte da frente e a totalidade da coronha para armas longas, ou 5 cm na frente e a totalidade do punho para pistolas. Estas pinturas pode ser cobertas exclusivamente durante o jogo e nunca durante o transporte das mesmas de casa para o local de jogo.

Complicado? Então notem o seguinte: se as armas forem adquiridas em lojas nacionais, é da responsabilidade do comerciante que toda e qualquer arma vendida cumpra estes requisitos. Já se forem adquiridas fora de Portugal, essa responsabilidade cai sobre o detentor das mesmas.

As armas devem estar ainda permanentemente acompanhadas da fatura de compra. Para os casos de aquisição de equipamento usado, deve a fatura da mesma acompanhar o material vendido, servindo uma pequena inscrição de “vendi esta arma a …”, devidamente assinada.

Sobre o último ponto legal, claramente mais complexo, existe um obrigatoriedade de todo e qualquer evento realizado estar devidamente licenciado para o efeito, cumprindo vários requisitos que apenas uma APD pode cumprir, invalidando assim a larga maioria dos jogos organizados na comunidade. É um factor complexo de cumprir, cuja melhor solução que me leva ao ponto seguinte deste pequeno guia de sobrevivência ao airsofter nacional, o bom senso.

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Bom senso:

A utilização de terrenos para a prática de Airsoft depreende de condições de segurança e de uma autorização para o efeito. Certifiquem-se de que estas condições existem antes de organizarem ou participarem num evento, evitando assim muitos problemas. Mesmo que não existam todas condições “legais” à realização do evento, não perdem nada em avisar as autoridades locais, que habitualmente são compreensivas.

Ainda sobre as autoridades, recomendaria que, durante o transporte de e para o local de jogo, as armas não levem os carregadores inseridos nem as baterias ligadas. A lei obriga ainda a que estas estejam ocultadas. Pode fazer toda a diferença durante uma operação “Stop”. Acima de tudo, deve imperar o bom julgamento em todos os aspetos da prática de Airsoft.

A analogia que recomendo para o efeito, que muito me ajudou a mim próprio, é a de tratarem as armas de Airsoft como se fossem armas de fogo reais.

Vão reparar imediatamente que o vosso comportamento vai mudar em todos os aspetos, desde o transporte, ao manuseamento, ou até à própria forma como jogam. E vai haver menos multas e pessoas magoadas.

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Existe um fator que merece a máxima consideração, e que tem que ver com o síndrome do pânico social. Nem toda a gente sabe o que é o Airsoft, logo, a imagem de um indivíduo totalmente fardado e equipado em espaços públicos pode suscitar dúvidas, e consequentemente um telefonema para as autoridades. O resultado disso pode ser grave, não só para o “infrator”, mas como para a imagem de toda a comunidade. E é um facto que, embora não esteja presente na lei das armas, mexe com muitas outras leis nacionais. Um civil está proibido de se fazer passar por militar, bem como de causar distúrbios da ordem pública por comportamento irresponsável.

E estas são regras e recomendações simples de serem cumpridas, que passam acima de tudo pela maturidade de cada um de nós, servindo para praticamente todas as situações fora do campo de jogo.

Regras de ouro:

Acima das regras impostas por qualquer organização de qualquer evento, existem duas que são essenciais: manter sempre a proteção ocular colocada, mesmo em zonas consideradas “seguras”, e evitar efetuar disparos sobre ninguém a menos de cinco metros de distância – apesar de existirem alguns módulos de jogo em que não se aplica qualquer distância de segurança.

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Fora isso, aplica-se mais uma vez o bom senso, daí que possa recomendar ainda que os carregadores apenas sejam inseridos depois de entrar em campo, que as armas estejam na posição de “safe” até à altura de serem utilizadas, e que o dedo ande sempre fora do gatilho. São pequenos hábitos que podem fazer a diferença entre a segurança e um disparo acidental. Mais uma vez, tratem as vossas armas como se fossem as armas de fogo reais que replicam tão bem!

A conduta dentro de campo é das coisas mais importantes para o sucesso de qualquer evento de Airsoft. Normalmente, cada organização exige alguns requisitos próprios, como por exemplo as regras de rendições, tipo de carregadores, respawns, etc. Mas existe uma regra absolutamente essencial, na qual assenta toda a modalidade, e cujo cumprimento dita o futuro de qualquer jogador dentro da comunidade em que está inserido: ser atingido com uma BB em qualquer parte do corpo implica que esse jogador está fora de jogo. Não existem “mortes” desonrosas, existe sim muita desonra em quem não se dá como”morto” quando é atingido. E essa desonra estraga o jogo a todos, além de acarretar uma reputação negativa e permanente ao infrator, e por vezes à equipa onde está inserido.

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Manter a compostura é absolutamente essencial no decorrer de um jogo, independentemente da situação.

O Airsoft é uma atividade levada a sério por muitos praticantes, mas no seu âmago tem o mesmo objetivo para todos quantos se encontram dentro de um campo de jogo: a diversão.

Infelizmente existem casos de indivíduos que nem sempre têm a postura mais correta, seja no facto de não se “darem à morte”, seja em reações despropositadas com outras pessoas em que acreditam ter atingido. Qualquer uma delas revela falta de maturidade, prejudica todos os presentes, e não devia ter lugar em nenhum evento.

Equipamento:

Existem cada vez mais opções no mercado nacional, fruto da criatividade e investimento de algumas lojas portuguesas. E existem vantagens em comprar “cá dentro”, tais como o rápido acesso a manutenção e garantia, algo nem sempre possível em produtos importados. O que por vezes não existe é informação útil sobre a qualidade ou as características da panóplia de armas, acessórios, vestuário, calçado, etc…

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Pelas razões óbvias, uma primeira aquisição nunca será tão fundamentada como aquela assente em anos de experiência na prática da modalidade, pelo que recomendo sempre alguma leitura sobre o assunto.

Para qualquer iniciado, o equipamento mínimo será uma arma (cumprindo os requisitos legais e recomendados), uma bateria, BB e proteção ocular.

 

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