Por Telmo Fonseca

Recentemente, foi “denunciada” aqui neste espaço mais uma proposta de alteração da lei das armas que pode ser consultada aqui.

E refiro “denunciada” porque estava literalmente a ser cozinhada na sombra, sem consulta nem apelo, inclusivamente das visadas Associações de Promoção de Desporto – APD – às quais estamos legalmente obrigados a estar inscritos, mas que não são sequer consultadas para nada.

Mas não só… Os próprios tipos que insistem em praticar coisas com FPS bem mais elevados que os nossos andavam completamente à nora disto tudo.

Como habitual, seguiram-se as já habituais tentativas de homicídio do mensageiro, com clichés como “populista”, “alarmista”, “a montanha pariu um rato” até uma frase muito replicada, que eu gostei em particular e me motiva este artigo: “Afinal não muda quase nada!”

Eu repito: “Afinal não muda quase nada!” É a constatação da derrota, o baixar de braços, o assumir da mediocridade a que estamos entregues. Em suma, que aceitamos toda a tolice cozinhada num qualquer gabinete por quem nada percebe disto e muito menos aprova a nossa existência. E gostamos!

Meta-se mais uma diretivazinha aqui, uma alteraçãozita ali, um e-mailzito acolá… APD a marrar umas com as outras porque o que importa é o guit… perdão, o associado, meia dúzia de adeptos do ir baixar as calças à DAEXP e aceitar a sodomia com um sorriso nos lábios, juntem-se uns quantos posts inflamados no Facebook, daqueles que meia hora depois já ninguém ouviu falar… e para a semana quem vem já está tudo bem!

Depois de despejado o assunto nas redes sociais, seguiram-se algumas reações “oficiais” (as que consegui apanhar) que passam por posts nas páginas oficiais das Associações:

Seguiu-se também um comunicado mais “elaborado” da ALA-APD, que pode ser consultado diretamente aqui, ou na página de facebook da Associação, e que até traz alguma água fresca para a fervura.

E pronto. Até mais ver, está tudo bem. Foi só mais um dedinho, não aleija nada, e constata-se inclusivamente que boa parte dos opinadores até preferia que nem se tivesse falado no assunto.

Em última análise, a culpa é das APD – o que a bem dizer até nem anda muito longe da verdade – e não se fala mais no assunto, que o que importa é cumprir a lei, mesmo se a lei for manifestamente impossível de cumprir – como até chegou a ser verificado naquele período recente denominado de “Fase Jerónimo”.

No meio destas famigeradas 74 páginas de conceitos vagos, e à imagem dos lirismos anteriores (diretivas e afins), o que é que melhorou?

Acabaram com as ridículas pinturas fluorescentes em objetos que inclusivamente têm de ser transportados de forma oculta? Não.

Retiraram os brinquedos de plástico de uma lei que visa enquadrar outros objetos que efetivamente podem matar pessoas? Não.

Consultaram ou sequer tiveram algum tipo de respeito pelos designados representantes de 10 ou 15 milhares de eleitores que também praticam Airsoft, para encontrar algum tipo de solução que servisse o interesse de alguém? Não.

Perguntaram alguma coisa aos senhores que facturam sensivelmente dois milhões de euros ao ano a vender pistolas de brincar? Não.

Alguém, do nosso lado e do deles, se importou realmente com alguma das coisas que eu acabei de enunciar? …estou para ver. Porque até agora só vejo braços caídos e a conversa do costume. E isto, a bem dizer, apenas abrange alguns tolinhos que se dão ao trabalho de ler e tentar cumprir as merdas que estes tipos inventam. Porque cheira-me que a larga maioria – e com tendência para aumentar – tenderá a voltar aos idos de 2004, sossegada, no seu canto, a raspar a tinta que veio da loja e a fazer um belíssimo pirete a quem percebe tanto de Airsoft como eu percebo de lagares de azeite. E nem merecem outra coisa…

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