Por Telmo Fonseca

55 votos legitimaram uma nova direção e, consequentemente, uma nova equipa e um novo projeto para os associados da APD que dizem ter o maior número de associados em Portugal.

Em dia de eleições na Associação Nacional de Airsoft, a 6mm Portugal esteve à conversa com Vítor Conceição, Presidente eleito da Direção da ANA-APD para os próximos quatro anos, para tentarmos saber quais os destinos que vão ser dados à associação.

6mm Portugal: Existe um legado deixado pela direção cessante. Como avalias os últimos quatro anos?

Vítor Conceição: “Em primeiro lugar, aproveito desde já para cumprimentar a 6mm e a sua equipa. Antes de passar a responder à sua pergunta, permita-me que comprimente e deseje um bom ano aos sócios da ANA-APD e a toda a comunidade de jogadores de Airsoft. Quero agradecer a coragem e empenho de todos os que me acompanham nesta “caminhada”, optando pelo mais difícil, que é a dar a cara e trabalhar pela melhoria da nossa modalidade.

Respondendo à sua pergunta, um grupo de trabalho que assume uma associação, sem qualquer valor financeiro, sem sócios e sem património, e a consegue transformar naquilo que é hoje a “ANA – Associação Nacional de Airsoft”, merece os nossos parabéns e o nosso reconhecimento. Verdade que nos últimos dois anos poderia ter existido uma melhor comunicação por parte de todos os órgãos, mas não podemos esquecer a prestação positiva desta direção cessante.”

Apresentas-te agora com uma lista e com o mote de aproximar a associação aos associados, em tudo semelhante aos moldes apresentados pela direção cessante. Esta lista é uma lista de continuidade em relação ao que foi feito, ou os objetivos agora são outros?

“A nosso ver, faz todo o sentido uma associação mais próxima dos associados, pois os mesmos, são a real essência de uma associação.

Olhando com cuidado para a constituição da nossa lista, especialmente para os dois órgãos mais intervenientes (Direção e Conselho Desportivo), apenas um elemento se mantêm dos antigos órgãos sociais.

Só por isso, os objetivos terão naturalmente de ser diferentes. O sentido será o mesmo, que é proporcionar o melhor para os associados da ANA-APD.

Realçando os objetivos do nosso programa de ação, saliento desde já, e em primeiro lugar, a criação da Liga Nacional de Airsoft (LNA) e, em segundo lugar, a reestruturação e automatização de todo o processo de inscrição de novos associados, bem como, a automatização do processo legal de marcação de jogos/eventos.”

Nos últimos quatro anos, a direção cessante apontou baterias a uma relação de cortesia e aproximação às autoridades. No entanto, a situação tem vindo a degradar-se no que concerne ao aumento de legislação castradora e, mais recentemente, até de apreensões de RAFPPR em condições de interpretação dúbia. Uma vez que os associados estão a ser confrontados com algumas situações menos boas, qual vai ser a vossa atitude futura em relação ao agente fiscalizador?

“Se existe uma coisa que a ANA-APD não vai permitir, é que os seus associados sejam vistos como marginais ou mesmo criminosos.”

“A interpretação da Lei tem de ser clara e objetiva para que não existam divergências na sua interpretação. Agente fiscalizador e jogador têm de ter a mesma interpretação da Lei e, por isso, um dos nossos objetivos prioritários será solicitar uma reunião com a entidade fiscalizadora de forma a resolver este tema.

O nosso conselho jurídico está ao dispor dos associados, no auxílio e na resolução de qualquer situação menos positiva que possa acontecer.”

Consideras ou tens algum objetivo para o teu mandato que enquadre algum tipo de luta por mais direitos, sejam eles a clarificação da lei existente, a remoção das pinturas ou mesmo a retirada das RAFPPR da lei das armas?

“Espera-se que no próximo ano exista a transição da diretiva europeia. Nessa altura, parece-nos ideal para nós, ANA-APD, e de preferência juntamente com as restantes APD’s e Lojas de Airsoft, ser apresentado um documento que defenda os interesses de toda a Comunidade e que sirva de documento de trabalho para futuras alterações à Lei. Temos várias propostas que gostaríamos de discutir com as organizações supracitadas antes de as apresentar publicamente.

Os praticantes de Airsoft podem esperar do teu mandato uma aproximação às restantes APD, para lutarem, por exemplo, por alterações na lei, uma eventual federação ou qualquer outro projeto conjunto, tal como a realização de eventos conjuntos, melhores condições de seguros ou, pelo contrário, prevê-se que a ANA-APD caminhe sozinha e na sua própria direção?

“Como é óbvio sim, pretendemos estar disponíveis ao diálogo, desde que os interesses dos associados da ANA-APD sejam salvaguardados. A nossa Comunidade de Airsoft precisa de paz e união e estaremos dispostos a caminhar nesse sentido.”

Qual é a grande prioridade da tua direção? Ou seja, como pretendes atingir essa aproximação dos associados à sua associação?

“Pretendemos, sem dúvida, uma maior proximidade aos nossos associados. Temos já projetados mecanismos que visam esta maior proximidade e, acima de tudo, queremos que os nossos associados trabalhem connosco em ideias e sugestões que permitam o crescimento, desenvolvimento e reconhecimento da nossa modalidade. Os nossos associados podem contar com a ANA, mas vamos querer também poder contar com os nossos associados. Se trabalharmos em conjunto poderemos ir sempre mais longe.”

Qual é a vossa opinião e futura atitude em relação aos clubes de praticantes, tendo em conta a atividade muito limitada que alguns apresentam que, nos casos mais graves, apenas são constituídos por forma a poupar nas quotas da sua APD?

“Os clubes são parte fundamental da modalidade e devem ter condições para que os seus atletas possam evoluir. Vamos colaborar com os clubes nesse sentido. Relativamente à segunda parte da questão, é um tema que ainda vamos ter de estudar. Não sabemos, nesta altura, o número de clubes nessa situação. Aquilo que pretendemos é que os mesmos se transformem numa mais valia para toda a comunidade e não sejam uma mera formalidade para poupar algum dinheiro.”

Uma questão que importa aos leitores da 6mm Portugal, e que se revêm no trabalho de promoção e divulgação do Airsoft que aqui se tenta fazer: prevê-se algum tipo de apoio a esta publicação ou, em alternativa, estão a planear algum outro tipo de divulgação que não exista atualmente?

“A 6mm é uma revista de referência no Airsoft. Da nossa parte deverá ser uma revista isenta e de continuidade, com certeza que, quando nos for solicitado apoio por parte da 6mm e a mesma seja benéfica para nós APD, terá sempre a nossa apreciação.”

“Como é do conhecimento público, no nosso programa de ação temos como um dos pontos chave, o lançamento de um jornal de comunicação própria.”

Em relação aos assuntos que geralmente mais preocupam os associados, nomeadamente os prazos de entrega de cartões de associado e a realização de eventos de Airsoft, o que estão a planear neste sentido?

“Para nós, essa é a grande prioridade. Neste momento não funciona como pretendemos, contudo, estamos já a trabalhar nesta área e pretendemos ter uma plataforma melhorada, de forma a agilizar o processo de novas inscrições, renovações e comunicação dos jogos/eventos por parte dos clubes e associados. É também nosso objetivo reduzir drasticamente o prazo das entregas dos cartões físicos.”

 

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