Por Telmo Fonseca

A montanha pariu um rato? Esta será uma das expressões com que provavelmente serei confrontado após a publicação deste artigo. Faz parte. Qualquer pessoa que manifeste a sua opinião publicamente estará sempre sujeita ao escrutínio de quem a lê e interpreta. E, no caso em questão, com a recente acumulação de tensões, cabe-me dar ao leitor uma justificação adicional, da forma mais “curta e grossa” possível, e à minha inteira responsabilidade:

O que consta da “Operacionalização da Diretiva 6/2017?

Não posso divulgar, por enquanto. É um processo que está em curso, ainda faltam assinaturas, e nem tão pouco é o mais importante no meio disto tudo, visto ser um simples documento de oito páginas que visa criar procedimentos “standard” entre todas as APD.

O que importa verdadeiramente aqui no meio é a quantidade de portas que isto pode abrir.

Neste momento, não interessam os nomes, nem quem concretizou o quê. Esses, a história irá encarregar-se de os escrever, e eu cá estarei para vos reportar detalhadamente, passo a passo. Por agora, importa cumprir o calendário que me foi imposto, e que eu vou respeitar, até sobre pena e responsabilidade de não impugnar todo o processo.

As APD estão a unir-se?

Sim. Embora de uma forma muito específica, e que passo a explicar:

Com a publicação da Diretiva 6/2017, que depositava sobre as APD a responsabilidade integral sobre todos as “provas de Airsoft” (vulgo jogos) realizadas em território nacional, urgia a operacionalização de procedimentos, com vista a dotar o praticante de meios para poder organizar os seus eventos de forma 100% legal, apesar da burocracia adicional.

O que para uns seria relativamente fácil de fazer, nomeadamente Clubes e outras estruturas dotadas de personalidade jurídica e capacidade de organização, deixava ainda assim de fora a maior parte das pequenas equipas e grupos de amigos que não têm essa estrutura.

A partir daqui, existiam vários caminhos possíveis a seguir:

  • Impugnar a diretiva, com os consequentes custos legais de uma ação contra o Estado português;
  • Ignorar a diretiva, com as óbvias repercussões para os praticantes apanhados em atos ilícitos;
  • Operacionalizar a diretiva, facilitando a vida a todos, ao criar procedimentos padrão entre todas as APD;

E foi esta última que foi feita, embora com um detalhe tão importante que me merece todo o destaque que lhe possa alguma vez dar: ao invés de estar cada uma para o seu lado, vulgo “a puxar a brasa à sua sardinha”, as APD que até à data subscreveram o referido documento estão a fazer uma coisa totalmente diferente.

Desde o lançamento da 6mm Portugal, a 14 de fevereiro de 2013, existem dois momentos muito específicos que acarinho pelo facto de ter tido a oportunidade de estar presente, no local e na hora certa, para poder ver história a ser escrita.

O primeiro, no meio do caos do Óscar Mike II/World War III, em que quando tudo aparentava estar prestes a desabar em agressão, as pessoas envolvidas juntaram-se e fizeram um jogo. Apesar do resultado final não ter sido particularmente brilhante, podia ter sido muito pior. No meio do caos nasceu a vontade e a união, nem que não fosse para tentar salvar a cara do Airsoft nacional perante as centenas de visitantes estrangeiros. E praticamente todos aderiram, com um entusiasmo que contrastava com a frustração de quem perdeu muito dinheiro para nos visitar.

O segundo é este momento de agora, em que vejo pela primeira vez a vontade sincera de “enterrar os machados de guerra” entre a maior parte dos atuais dirigentes das APD, deixando aqui uma ressalva para os que ainda não se pronunciaram.

Vai haver contestação?

Não. A resposta das APD que até ao momento estão a subscrever o documento referido é, inequivocamente, “não”!

Nos últimos anos, temos assistido a uma constante tentativa de aproximação por parte das APD às instituições que insistem em atirar-nos para cima regra após regra, transformado a pouco e pouco uma simples atividade de diversão e convívio numa complexa e intricada sopa de burocracia. Mas o momento para contestar não é agora. Pelo menos, enquanto não conseguirmos falar em uníssono e a uma só voz.

As regras são para cumprir, e esse tem sido ponto assente desta comunidade que, salvo raras e infelizes excepções, tem dado a outra face sempre que leva mais uma bofetada na cara, cumprindo e auto regulando-se para além daquilo que tem sido exigido.

Por outro lado, deixo aqui o meu agradecimento pessoal a quem publicou esta mesma diretiva, já que este foi o percutor para algo muito bom, e que já devia ter acontecido há muito tempo.

 

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