Por Tactical Room

Os nossos amigos da Tactical Room publicaram um artigo extremamente interessante sobre lesões em eventos de Airsoft, que nós consideramos ser de leitura obrigatória para qualquer praticante. Assim sendo, partilhamos também com os nossos leitores o texto em questão, e que pode ser lido na sua versão original neste link.

Este artigo é um complemento do Tactical Talk #20 – IFAK e dicas de viagem, que também recomendamos que ouçam, no seguinte link. Desde já agradecemos à Tactical Room pelo excelente artigo e pela oportunidade de o partilharmos.

FERIDO REAL!!!… FERIDO REAL!!! … PÁRA TUDO!!!

“Você já escutou essa expressão em campo? Se nunca escutou, torço realmente para que nunca venha a escutar. Ter um amigo, companheiro – ou até mesmo um absoluto estranho – ferido em campo é uma experiência traumática para grande maioria dos jogadores, por diversos motivos. Seja pela angústia de ver alguém ferido, seja pelo sofrimento da vítima, ou pelo transtorno causado à organização, ou ainda pelos danos colaterais a todos envolvidos… NUNCA é bom ter um acidente com ferido real em campo.

E não importa a modalidade, nem o sexo ou a idade de quem está praticando… As marcas são sempre profundas.

Na grande parte das vezes, os acidentes são de menor gravidade e, se adequadamente tratados, não geram qualquer tipo de problema para as vítimas. Mas, infelizmente, nem sempre as coisas são assim. É de suma importância que o praticante de Simulação Militar, que frequenta áreas naturalmente perigosas e atividades onde o risco é inerente, tenha em mãos um bom kit de primeiros socorros e os conhecimentos mais elementares para seu devido uso.

Eventualmente acidentes maiores com maior comprometimento da vítima poderão acontecer. Quedas de pavimentos, escorregões com impacto na cabeça e riscos afins poderão gerar traumatismos severos, como lesões cranioencefálicas, comprometimento de órgãos internos e a progressão do quadro ao choque, parada cardiorrespiratória e morte cerebral.

Sim… são riscos reais que cada um de nós assume todos os segundos de nossas vidas. Seja mesmo no seguro conforto do lar, ou ainda mais contundente, na hostilidade intrínseca da natureza selvagem.
Casos extremos, apesar de raros, podem acontecer. Estar preparado para diminuir o risco de morte nesses casos também é importante, na mesma medida que o resgate e remoção são proporcionalmente mais complexos e delicados.

E porque será que esse tema raramente habita os debates no nosso meio?
Seria um tabu?… Uma forma inconsciente de anular a possibilidade e o risco?

Acredito que não. Trata-se tão somente de falta de informação… da falta de conhecimento… do ato mesmo de levantar a questão e abordar o tema de forma direta e incisiva.

O que você tem feito em relação aos cuidados com os primeiros socorros?

Você tem algum conhecimento na área? Tem um kit de primeiros socorros no meio do seu equipamento?

Fundamentalmente, a importância de se ter um kit é contida naquilo que você imagina ter capacidade de resolver em campo. Os tipos de crises que está apto a atender ou acredite que esteja sujeito a vivenciar.
Sim… você pode ser a vítima… porque não seria?

Normalmente as ocorrências médicas em campo são traumas leves como pequenos cortes, escoriações, contusões por torção e pequenas fraturas. Eventualmente outros males clínicos podem acometer os praticantes, tais como, intermação, insolação, hipotermia, tontura, febres, desconfortos intestinais, enjoos e até desmaios. Encontros com animais peçonhentos ou insetos agressivos também completam o cenário de hostilidades.

Portanto, para a grande maioria dos casos, os kits básicos de primeiros socorros atendem com sucesso as demandas. Claro que kits mais elaborados têm amplitude maior, atendendo casos mais graves com lesões mais complexas, mas não são em absoluto, tão mais importantes que aqueles considerados básicos.

Para melhor compreensão, observe o que deve conter um Kit Básico de Primeiros Socorros de uso individual, e qual a função de cada item:

Apito (preferencialmente que soe o mais alto possível):

É  importante pois será utilizado para chamar atenção dos demais jogadores (e membros da organização) para eventual acidente. Tão logo se ouça o silvo do apito, TODOS OS JOGADORES deverão parar o jogo e buscar auxiliar (cada um a sua forma, conforme briefing) o fato ocorrido.

Gaze:

pequenos pedaços de tecido permeável e esterilizados, utilizados a limpeza, cobertura e proteção de ferimentos. São vendidos em pacotes com 01 a várias unidades.

Curativos adesivos:

Os band-aid e similares servem para cobertura e proteção de pequenas lesões. Apresentados em caixas com várias unidades.

Bandagens compressivas de crepom:

São rolos de tecido permeável e servem para envolver as áreas do ferimento, provendo maior proteção ao local, ou auxiliando na contenção e ou imobilização da parte ou membro lesionado. São encontradas em larguras de 5 a 25 cm e comprimento médio de 1,80m.

Esparadrapo:

Um rolo de fita adesiva resistente e impermeável. Apresentado em rolos com largura e comprimento variáveis. Há uma versão permeável (esparadrapo micropore) que pode ser usado diretamente sobre o ferimento, ou para pessoas com peles sensíveis.

Antisséptico:

Produto que faz a limpeza do ferimento, prevenindo a contaminação por bactérias nocivas. Pode ser líquido ou em pó.

Luvas de procedimento (descartável):

Feitas de material sintético (látex ou vinil), servem para evitar a contaminação do usuário com os fluídos corporais de vítima. Encontradas no mercado em embalagens com 01 par, ou caixas com 50 ou 100 unidades, em três tamanhos (P, M ou G).

Tesoura pequena:

Podem ser simples como aquelas de uso escolar, ou as pequenas tesouras de unha. Serve para preparar um curativo, cortar pedaços de esparadrapo, abrir a roupa da vítima para acessar os ferimentos.

Pinça comum:

Geralmente as pinças de sobrancelha, servem para remover ferrões de insetos, carrapatos, farpas, fragmentos em ferimentos, etc.

Pomada Bactericida:

Fazem às vezes de antisséptico local de forma mais ampla que o líquido antisséptico. Seu composto a base de sulfato de neomicina + bacitracina são extremamente eficazes com barreira protetora contra micro-organismos patológicos. Apresentada em bisnagas de 9 à 50mg.

Bolsa organizadora:

Deve ser um container, pouch ou bolsa que abrigue de forma organizada todos os itens e permita o uso do kit de forma prática e rápida. Há no mercado uma diversidade de bolsas para esse fim.
Dois itens especiais – apesar de mais caros – são extremamente desejados:

Pocket Mask:

Uma máscara (de bolso) para fazer respiração boca-a-boca. Possui uma válvula que permite ao socorrista fazer insuflações em uma direção e retém o fluxo contrário, evitando sua contaminação com os fluidos corporais da vítima.

Torniquete:

Um sistema de contenção para hemorragias profusas em ferimentos nos membros. Vital para evitar a morte – muito rápida – por perda de volume sanguíneo em ferimentos de extremidades.
Além disso, você pode incrementar seu kit com outros itens:

Soro fisiológico:

Para hidratação direta via oral ou para limpeza de ferimentos extensivos e queimaduras.

Lenços umedecidos:

Para limpeza local de ferimentos menores, para limpeza das mãos antes e depois do socorro, e outras manobras higiênicas.

Protetor labial:

Para proteção dos lábios em ambientes ou condições de baixa umidade no ar, frio ou calor intenso.

Protetor solar:

Para a proteção da pele e prevenção de queimaduras solares incapacitantes.

Repelente:

Para afugentar insetos e parasitas que são um incômodo e podem transmitir doenças. (clique AQUI para ler nosso review sobre repelente Exposis Extreme)

Purificador de água:

Comprimidos de cloro para a purificação de água de origem duvidosa seja para a hidratação ou limpeza.

Atadura triangular:

Um corte triangular em tecido de algodão puro. Ótimo curativo de amplo espectro.

Tesoura de ponta romba:

Tesoura robusta com ponta arredondada que tem a função de cortar roupas e indumentárias da vítima, a fim de expor áreas e acessar ferimentos.

Bandagem Israelense:

Grande atadura de uso militar com sistema de compressão e retenção em uma única peça.

Medicamentos:

Apesar de não ser uma indicação formal, recomendo o porte de medicamentos comuns de uso geral, como Antitérmicos, analgésicos, antigases, anti-inflamatórios, anti-histamínicos e colírios. O uso de medicamentos requer critério e é sempre recomendado que um médico seja consultado.

A história do kit de trauma

Depois da Primeira Guerra Mundial praticamente todo soldado em zona de combate é equipado com um Kit Trauma (assim chamado por ser específico para atender de forma rápida e direta um trauma físico de combate). Com o passar do tempo, o kit trauma evoluiu para atender de forma ainda mais eficiente as necessidades médicas dos combatentes, com o propósito de reduzir a mortalidade, por ferimentos de combate, no campo de batalha.

Esses kits, hoje comumente chamados IFAK (Individual First Aid Kit – Kit individual de Primeiros Socorros) ficam em lugares visíveis e acessíveis na indumentária de combate dos operadores, para que sejam fácil e rapidamente identificadas e utilizadas NO PRÓPRIO COMBATENTE!

É óbvio que o cenário de combate real é completamente hostil, e que o porte do IFAK é absolutamente indispensável, mas mesmo para nós – que não temos ninguém querendo intencionalmente nos ferir ou matar – mas que frequentamos áreas com riscos naturais similares o porte e uso de nossos kits se torna tão vital quanto.

Da experiência dos militares, tiramos lições importantes:

Eficiência:

Numericamente falando, a morte de combatentes feridos em campo foi reduzida significativamente depois da implementação dos Kit Trauma nos equipamentos dos Operadores.

Porte e localização:

A forma de transporte e a alta visibilidade dos IFAKs torna sua identificação e uso muito mais rápida e eficiente.

Lógica de uso:

Os IFAK são prioritariamente para uso no próprio portador e como tal, são altamente valorizados por quem sabe que sua vida pode depender dele.

Seja no mundo militar ou no civil, ter o conhecimento para utilização dos kits de primeiros socorros é importante.

O conhecimento dos protocolos de atendimento no APH (Atendimento Pré-Hospitalar, ou seja, Primeiros Socorros) são balizadores que indicam o que fazer, quando fazer, como fazer, e o importante O QUE NÃO FAZER.

Em alguns casos, o atendimento inadequado – mesmo que cercado de boa intenção – podem agravar o estado da vítima, ou até mesmo, gerar novos traumas com consequências catastróficas.

Acima de tudo, procure se informar. Busque o conhecimento.

Existem cursos de primeiros socorros nas principais cidades do país e mesmo que o tema seja muito negligenciado pela sociedade, é de suma importância que cada um de nós procure a adequação ás suas práticas.

Racionalizando o tópico:

  • Monte, tenha e porte seu Kit de Primeiros Socorros
  • Saiba o que seu kit contém e como usá-lo
  • Mantenha um registro escrito de males clínicos e alergias suas (se houver) junto com seu kit de PS.
  • No caso de porte de medicamentos no Kit, mantenha a bula, ou parte da embalagem junto para que você ou terceiros possam identificar o que são, para o que servem e suas contraindicações.
  • Busque informação e adeque-se às práticas dos Primeiros Socorros

Esteja preparado!”

Anúncios