Por ALA-APD. Fotografias de Inês Machado Pereira

A reencenação militar, é para a esmagadora maioria dos praticantes de Airsoft, uma segunda vertente e, mesmo que quase não se apercebam, uma importante parte da abordagem, ainda que de forma subconsciente. Quem nunca praticou técnicas, tácticas ou utilizou equipamentos “emprestados” ou inspirados em forças militares ou policiais, filmes ou conflitos do presente ou da história mundial? A reencenação será mesmo uma parte da “magia” de cada jogo, embora muitas vezes de forma dissimulada ou até inconsciente.

A caminho de um qualquer jogo, de passagem por uma livraria, a assistir a um filme ou até mesmo às notícias, vamos desenvolvendo uma apetência pela identificação dos uniformes, armamentos, distintivos e pelos mais variados equipamentos que vão cruzando a linha do nosso olhar e, muitas vezes, são essas mesmas influências que transpomos para o “boneco” que criamos para a pratica desportiva, são essas mesmas influências que vão alimentando a vontade de que chegue mais rapidamente o fim de semana, para que, ainda que apenas por algumas horas, passemos à pratica tudo aquilo que nos vai povoando a mente.

Somos todos assim, uns mais outros menos, mas somos!

O passo seguinte é, felizmente, relativamente comum em Portugal. Há excelentes grupos de reencenação no Airsoft, cobrindo as mais variadas épocas e conflitos, mas como o dinheiro é sempre escasso para tudo o que gostaríamos de ter, vamos adquirindo o que podemos e conjugando melhor ou pior o nosso “boneco” de determinadas forças militares. É uma constante na nossa modalidade.

Como consequência de tudo isto, é perfeitamente natural que se vá desenvolvendo um “gostinho” pela coisa militar. O assunto castrense torna-se subitamente um interesse comum, à medida que o praticante vai dedicando mais tempo e atenção à modalidade. É mesmo, pode-se dizer, uma consequência da nossa prática desportiva, o que leva a que a conjugação entre os “bonecos” que vamos construindo acabe sempre por ser um ponto alto para cada praticante.

O encontro

Foi um desses momentos que aconteceu este fim de semana no Museu Militar de Elvas, em que teve lugar o XI Encontro Nacional de Veículos Militares Antigos, promovido pela Associação Portuguesa de Veículos Militares, e onde houve lugar à prática de reencenação, militar e não só.

A Associação Lusitana de Airsoft marcou a sua presença ,contribuindo com um grupo de associados que por lá foram dando algum “ambience” ao evento. Estes apresentaram-se caracterizados segundo o tema “Guerra do Ultramar – Moçambique”, tema este que foi perfeitamente abraçado pelos participantes, que retrataram muitas das partes do conflito, desde guerrilheiros a forças militares portuguesas, até mesmo a milicianos e rodesianos.

Teve também lugar um momento de reencenação de uma emboscada, dando aos visitantes a possibilidade de experimentarem um pouco da mística, com Slide iniciado nas muralhas do Museu e terminando numa vetusta viatura Saladin, do acervo do Museu.

Os sons, os cheiros e o toque em algumas viaturas, tão conhecidas de alguns, fizeram-nos recordar memórias guardadas, e acreditamos no nosso intimo que alguns de nós terão pensado: “que saudades, Deus meu”. Éramos novos, mais leves e mais despreocupados, como só um jovem consegue ser.

Levámos as reproduções de armas de fogo de práticas recreativas de Airsoft enquadradas na época e as nossas velhas fardas do tempo da guerra de ultramar. Iríamos participar numa “emboscada” a viaturas militares, e na subsequente captura de um quadro militar africano. Este era o mote. Foi mesmo um recordar para alguns e, para outros mais novos, foi a descoberta, destas amigas pintadas de verde: as viaturas militares.

Para os mais distraídos, vale a pena aproveitar para lembrar o trabalho que os voluntários da Associação Portuguesa de Veículos Militares (velhos amigos dos praticantes de Airsoft) realizam voluntariamente no Museu Militar de Elvas, onde recuperam e mantêm viaturas que são testemunhos da história de todos nós. Este trabalho pode ser testemunhado e até mesmo experimentado, um fim de semana por mês, no Museu Militar de Elvas, onde até podem dar um passeio numa das viaturas. Para além de conhecerem um dos mais históricos quartéis de Portugal e um fantástico Museu Militar que se vem afirmando, não só pela qualidade e diversidade do seu espólio, mas também pelo seu dinamismo, estes são motivos sobejamente suficientes para justificar uma visita, porque cada muralha, é testemunha de um passado glorioso.

Valeu cada segundo deste dia, mesmo com mais de 40 graus à sombra. Levámos muito pouco para o que recebemos e estamos gratos. Prometemos voltar!

Para saber mais sobre o evento recomendamos a leitura do artigo no site da “Operacional”.

Para saber mais sobre uma das mais icónicas viaturas em exposição, a Bravia Chaimite, recomendamos a visualização do seguinte vídeo, da autoria dos nossos amigos “Verde Tropa”:

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