Por Telmo Fonseca

De ano para ano, a equipa organizadora do evento Nova Madrugada, liderada pelo Leal Rodrigues e apoiada pela APMA-APD, lima as arestas e introduz melhorias a uma noite que é das mais especiais no panorama do Airsoft nacional.

O evento Nova Madrugada é um jogo de Airsoft de características especiais que o tornam único e imperdível.

A começar pelo acolhimento, no Campo de Tiro de Pedeleque, em Vendas Novas, espaço de excelência para este tipo de atividades: munido de estacionamento, bar com bebidas e refeições ligeiras, espaço de convívio e ainda com a possibilidade de praticar algumas atividades extra que podem fazer as delícias de quem só está autorizado a ter réplicas e não o original: tiro ao prato e, mais recentemente, tiro prático com shotgun,  dinamizada pelo sempre entusiasmado “Lord Barbado” e pelo Gonçalo Mano.

Nesta edição da Nova Madrugada, foi inclusivamente disputado um campeonato de tiro com prémios especiais, entre os quais uma pistola GBB de gama alta. As lojas e os jogadores presentes compõem o restante cenário que antecipa o jogo, num ambiente de muita descontração, convívio, e com uma qualidade que vale bem a visita.

Depois do jantar incluído – um delicioso ensopado de javali – e do briefing, já com a lua bem alta no céu, é tempo de embarcar no autocarro da Câmara de Venda Novas em direção ao terreno de jogo, situado a alguns quilómetros de distância.

“Pérolas para porcos”

A expressão é forte, mas é a única que me ocorre para as situações escandalosas que tive oportunidade de presenciar em primeira mão, durante um evento e uma organização exímias, e que não merecia ser tratada da forma que foi por algumas pessoas às quais lhes foram concedidos os direitos a poderem deter uma arma de Airsoft, bem como de integrarem um evento desta qualidade e a comunidade de Airsoft em geral.

Em 10 anos de Airsoft nunca tinha visto tanta imortalidade e falta de vergonha em não assumir semelhante comportamento.

Um pequeno grupo de indivíduos, aproveitando de forma cobarde a cobertura da noite, esteve perto de conseguir manchar um evento onde não mereciam estar. O resultado só não foi pior graças à feliz maturidade dos restantes.

Não me merecem muitas mais linhas neste artigo, exceto um apontamento e uma sugestão à organização: o facto de oito indivíduos tomarem uma posição fortemente defendida por mais de 30, que foram ao respawn por duas vezes sem ter visto uma única baixa do outro lado, não é normal.

Como também não é normal eu próprio ter despejado um quilograma de BB – As 3.000 que me enchiam o drum da MK-43 – de fogo supressivo sobre dois destes alvos, a uma distância não superior a 40 metros, sem surtir qualquer efeito que não a singela devastação do raquítico arbusto atrás do qual os mesmos estavam posicionados em pé, incólumes e serenos, com aquela confiança de que nada lhes poderia alguma vez estragar o orgulho de conquistarem um posição e um objetivo sem qualquer mérito, mas apenas profunda vergonha.

A pronta intervenção da organização impediu que toda a minha fação desse por terminado o evento naquele momento, o que é demasiado grave para não ser reportado num rescaldo que se pretende honesto.

Sendo o único ponto negativo que encontrei em todo o evento, fica então aqui a minha sugestão, sem qualquer tipo de “papas na língua” à organização da Nova Madrugada: não aceitem qualquer merda na vossa casa, porque existem indivíduos que simplesmente não merecem tal privilégio.

A Nova Madrugada

Nesta edição, a organização voltou a chamar a si a responsabilidade do comando das fações como originalmente, num claro esforço positivo de dinamização de todo o evento. Com a entrada de missões durante toda a noite, respawns tão bem colocados quanto acessíveis, muita movimentação de equipas, apoiadas por vários veículos no terreno a desempenhar funções de infiltração, patrulha ou transporte de pessoas e equipamento, a 5a edição da Nova Madrugada esteve à altura do nome que já criou para si própria ao longo destes anos.

E embora eu tenha pessoalmente (e não sei se de uma forma generalizada ou apenas pelos papéis onde estive envolvido) sentido que este evento foi mais “ligeiro” que os anteriores – na edição do ano passado basicamente caminhei até à exaustão física – ainda assim foi bastante exigente, num misto bem equilibrado entre convívio, diversão e MilSim puro.

Se eu apenas pudesse participar num jogo por ano, não teria qualquer hesitação em escolher a Nova Madrugada.

E nenhuma das coisas más que referi neste artigo me impedirá de voltar a participar, durante tantas edições quantas a organização me der o privilégio de o fazer.

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