Por Telmo Fonseca

Com o aproximar previsto de eleições para a direção da ANA-APD, André Madeira apresenta agora a sua candidatura, sendo o primeiro a fazê-lo de forma declarada. E nós fomos falar com ele, para saber o que podemos esperar desta candidatura.

André Madeira, mais conhecido por Madeira, tem 33 anos e iniciou-se no Airsoft há cerca de 11 ou 12 anos, com intuito de aprimorar o seu nível táctico, de forma a evoluir profissionalmente – o André é militar da Guarda Nacional Republicana.

Tendo o material, acabou por experimentar um jogo de domingo, e após conhecer Marco Rocha (loja OCaleiro) surgiu a amizade e o convite para pertencer à equipa NBC. Mais tarde, fundou o Clube Airsoft Porto para dar continuidade ao espírito que era vivido nos NBC.

“O CAP foi fundado em dezembro de 2014, é um clube regional que apoia os novos praticantes da modalidade, cria jogos todos os domingos de manhã e está sempre disponível para ajudar quem mais precisa mas em relação ao clube acho que não é preciso apresentações porque é o maior clube da ANA-APD.”

6mm: Podemos esperar da tua candidatura uma transferência da ANA-APD enquanto APD nacional para um estatuto mais regional, ou seja, uma APD para os praticantes do Norte, ou tens uma abordagem diferente?

“Antes demais quero começar por me apresentar aos jogadores de Airsoft porque muita gente não me conhece. Não sou jogador de teclado nem nunca procurei mediatismo. (…) Em relação à minha candidatura à ANA-APD nunca fez parte dos meus planos, mas ser o Presidente do maior clube da associação e sentir que nada é feito pelos clubes nem pelos jogadores da ANA-APD é frustrante.

Não faz parte da minha personalidade demonstrar o meu desagrado nas redes sociais, como já começa a ser um hábito hoje em dia nos jogadores de Airsoft. Se um ciclo da ANA está a chegar ao fim, e eu não estou satisfeito e sei que posso fazer melhor, contribuindo para um Airsoft melhor, anunciei a minha candidatura à ANA-APD em primeira mão na página do facebook do Clube Airsoft Porto.

Não sou Homem de meias palavras nem de cinismos, nem tão pouco ando à procura de um “tacho”. Muitos questionaram-me porque não mudava de APD se não estava satisfeito.

Hoje em dia a opção mais fácil é mudar (de APD) e não mudar o que está mal (na APD).

Se a ANA-APD tem tudo para ser a melhor APD do país, para quê mudar de APD? Para quê criar outra APD?

Se a minha ideia fosse regionalizar a ANA, optava pelo caminho mais fácil e transformava o Clube Airsoft Porto numa APD, evitavando guerras e complôs pela busca do tacho dos ditos “donos do airsoft”. A ANA tem a estrutura criada, e apenas precisa de sangue novo, precisa de quem jogue Airsoft, precisa de quem goste de Airsoft, precisa de descentralizar o Airsoft, apoiando os clubes e jogadores que tomam a iniciativa de divulgar a modalidade na sua zona.

Quero referir que, quando anunciei a minha candidatura, deixei em aberto a entrada de elementos na minha lista, e até à data ainda não apareceu nenhum voluntário.”

6mm: Uma questão sobre o tema quente do costume: a união das APD. O que estás a planear fazer nesse sentido, caso a tua lista venha a ser eleita? Qual a solução que propões para conseguir consertar algo que aparentemente não tem conserto possível?

“A união de APD’s, a tal federação?! Sem dúvida que vamos acompanhar de perto todos os desenvolvimentos, e se for para haver mudanças positivas vamos também querer fazer parte dessa mudança.

O que tenho lido em relação à FEDAP ou à tal junção de APD é a preocupação de quem vai ficar com as rédeas e não, mais uma vez, os interesses dos jogadores e do Airsoft.

Não vamos apresentar soluções para uma questão que para nós não é um problema. Vamos concentrar-nos apenas unicamente no nosso trabalho e nas soluções para os problemas dos nossos sócios. Vamos focar-nos na ANA-APD, e o trabalho desenvolvido, bem como os problemas de outras APD’s apenas a elas lhes dizem respeito. Mas é lógico que se alguma APD precisar do nosso apoio, e se for viável a nossa ajuda, não hesitaremos em ajudar. Pois acima de tudo, quem fica a ganhar é o Airsoft nacional.”

6mm: Pergunto-te ainda sobre a Lei das Armas e as famigeradas pinturas. Caso a tua lista seja eleita, prevês conseguir alguma alteração para melhor durante teu mandato, e o que estás a pensar fazer em relação a isso?

“Se é Lei tem que se cumprir. No entanto, tenho a minha opinião muito própria. É um assunto sensível e que tem pano para mangas. O que posso dizer é que é fundamental ser rigoroso a cumprir a Lei no que toca ao transporte e uso das réplicas. Se vamos conseguir alterar alguma coisa não sei, não depende só de nós. Mas sei que, se chegar a altura de discussão legislativa, vamos mostrar o nosso ponto de vista, pois a maior parte dos jogos de Airsoft são realizados em locais já referenciados pela população e pelas autoridades, é uma modalidade cada vez mais reconhecida e identificada pela sociedade, pelo que em princípio já haverá abertura por parte das entidades competentes na revisão da Lei das Armas.

Aquando da última revisão na lei, as pinturas foram o “mal menor” para que o Airsoft não fosse proibido de vez em Portugal.

Na altura não tinha a visibilidade, nem o número de praticantes de hoje em dia, e havia receio por parte do legislador, que não aferia com exactidão o alcance da prática desportiva com réplicas.

A nível pessoal entendo que a mesma deve e será alterada um dia, mas não se consegue de um dia para o outro. Entretanto, o fundamental é criar bons laços com as autoridades nacionais e locais e estar sempre em sintonia e contacto estrito com estes.

Para finalizar queria apelar a todos os sócios ANA e ao associativismo: a Associação não é de quem a representa mas sim de todos os sócios. Se a lista que eu represento ganhar nós apenas vamos dar a cara pelos sócios, para o bem e para o mal.

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