Por Nuno “Stuntman” Tavares

Táticamente relaxados, despreocupadamente letais, os melhores a rir e os últimos a cair.

Muito se poderia dizer sobre esta equipa de “ar fofinho”, fundada a 23 de Setembro de 2013, mas nada a retrata melhor do que as palavras acima, que eles próprios escolheram para seu “cartão de visita”, e que caracterizam quer a convivência entre os seus elementos, quer a sua atitude em dentro e fora do campo.

Os BESTA contam atualmente com 11 membros ativos, alguns com 10 anos de Airsoft, outros que se estrearam há menos de 2 anos. E todos têm uma função para além de jogar, tanto dentro de campo como fora, de forma a organizarem-se o melhor possível. Tornaram-se clube de praticantes em 2014.

ROLL CALL

B01 Lista Negra (Hugo Monteiro)
B02 Nunes (Carlos Nunes)
B03 Kossack (André Kossack)
B04 Azazel (Paulo Lalanda)
B05 Ronin (André Chumbinho)
B06 Vil (Daniel Gomes)
B07 Piloto (Gilvan Rodrigues)
B10 Speedy (Emílio Marto)
B12 R3dxGhost (Tiago Amaral)
B13 RIStrike (Rui Costa)
B14 Fevereiro (Bruno Fevereiro)

Ao longo da sua existência, os BESTA lutaram sempre por manter a coerência face aos seus objetivos: a diversão dos seus membros e a crença de que como equipa são mais fortes do que como indivíduos, desde a inovação à originalidade, pelo fair-play e, finalmente, de dar algo de volta à comunidade apoiando algumas causas sociais meritórias. Intitulam-se como uma equipa “de vão de escada” que não esquece das suas origens (mas já arranjou um corrimão).

“Como equipa, amadurecemos, sofremos algumas baixas, tivemos algumas decepções e abrimos portas a algum sangue novo (exceto o Vil que é grande e arrombou as portas). Sempre focados em fazer mais e melhor Airsoft para nós e, consequentemente, para todos (pelo menos para os que gostam de trazer para o jogo mais realismo, mais adereços, novas dinâmicas de utilização dos espaços de jogo… enfim, em fazer aquilo que achamos que ainda não foi feito”.

Foi neste âmbito que surgiram eventos como o “Metamorphosis” (“onde adicionámos alguns efeitos especiais, uns caramelos mascarados e um mutante de supressora”) o “Hunger Games” (“com o seu método original de respawn, onde se conquista a entrada em jogo num confronto em cqb, 5 para 5”), e o [No Mercy] The SOURCE (“em que apostámos em ter áreas fechadas onde os jogadores pudessem prestar provas de perícia de várias formas, contra alvos, por tempo, de forma individual e em equipa”).

No Mercy

Um dos grandes tabus na comunidade de Airsoft portuguesa sempre foi a distância de rendição, ou até mesmo a utilização de rendição. A histórica regra de proibição de disparo a menos de cinco metros tem, por um lado, a vantagem de aumentar a margem de segurança com que se pratica Airsoft, ao evitar disparos a curta distância mas, por outro lado, levanta por vezes alguma polémica ao retirar o realismo, bem como pelo facto de nem toda a gente a respeitar – ou mesmo saber medir corretamente uma distância de cinco metros, quer disparando a distâncias mais curtas, quer mandando “render” por vezes a distâncias absurdas, de dezenas de metros.

Os BESTA simplesmente decidiram abolir esta regra em jogos organizados por eles, e trocaram-na pela obrigatoriedade de utilização de armas mais curtas (normalmente menos potentes) em zonas edificadas de combate próximo. E deram-lhe um nome: “No Mercy“.

Muitas equipas acabaram por adotar a regra “No Mercy” nos seus próprios jogos, embora a posição não reúna consenso. Há quem defenda que a regra “No Mercy” potencie riscos físicos, e se recuse a jogar em eventos que tenham essa mesma regra.

“Estivemos sempre cientes de que podia gerar alguma polémica e não será certamente do agrado de 100% da comunidade. Mas, com esclarecimento das regras, respeitando as premissas de uso de material (usar a pistola no combate próximo) e de dar maior realismo ao jogo, seria sem dúvida o nosso modelo de eleição”.

Campos BESTA

A “sede” dos BESTA é o sobejamente conhecido campo denominado “O COVIL“. Situado no antigo quartel de Adidos Militar em Sacavém., é um campo multifacetado que faz as delícias quer de quem gosta de mato quer quem gosta de CQB.

Em início de 2015, os BESTA inauguraram um segundo campo num matadouro desativado em Viseu: “A TOCA“. Maioritariamente, para proporcionar um espaço de CQB versátil para as equipas do Norte e para o elemento deslocalizado RCSstrike que, pela distância, não joga tão frequentemente com o resto da equipa.

No final deste mês de Março vão ainda abrir as portas a um novo espaço – “Um dos melhores que já vimos para Airsoft”: “A FORJA“. Este campo situa-se na antiga Companhia de Fornos Eléctricos de Portugal em Canas de Senhorim, e vai seguramente ser um dos mais míticos campos de Airsoft em Portugal, onde pretendem vir a organizar “eventos MilSim de CQB ao nível do que melhor se faz nos EUA, num cenário de deixar entusiastas de Call Of Duty com água na boca”.

Fardamento e Loadout

Atualmente usam vários fardamentos, que visam versatilidade quer face ás regras dos próprios eventos quer dos de grande parte da comunidade (Camuflados vs Contractors), bem como uma maior eficácia nos vários cenários de mato e urbanos que podem encontrar em Portugal: Multicam, Multicam Tropic, OD, AOR1 e híbridos (combinações dos anteriores). Em relação ao equipamento, os BESTA não pretendem fazer reenactment de ninguém.

“Queremos ser nós próprios – embora haja quem jure que os NAVY SEALS têm algumas parecenças connosco (risos). Não temos regras estritas em termos de equipamento. Fazemos o nosso boneco mas cada um pode compô-lo á medida do que pode e gosta, desde a réplica chinesa mais barata, até ao real deal.”

O Airsoft

Em Portugal há muito bom Airsoft. Existem bons e grandes eventos, que em nada são inferiores aos de outros países.

“Contudo, o trabalho das organizações é frequentemente posto em causa pelo comportamento dos jogadores. É uma realidade, que muita gente gosta de contornar regras que as organizações definem, e na verdade quase ninguém se lembra que a organização investiu tempo (muitas vezes roubado á família) esforço, e dinheiro para organizar ideias, testá-las, pô-las em prática, tratar de logística, construir adereços…”

Os BESTA levam a sério as regras, e obrigam todos os participantes nos seus eventos a cumprir com o que é pedido. Afinal, as regras existem para que exista fair play e justiça no jogo, para que se jogue em segurança e se leve para casa boas memórias.

“No mínimo há que lê-las (às regras) antes de vir jogar. É desagradável recusar gente no dia por vir com fardamento errado, réplicas com FPS acima do permitido ou mesmo sem pintura, falta das pistolas exigidas para confrontos dentro de edifícios. Pior também é pedir a jogadores que saiam por trocarem peças pintadas por não pintadas em jogo. Mas pior ainda é para aqueles jogadores que lêem as regras que nos damos ao trabalho de postar e relembrar, que têm tudo impecável e dentro da lei, mas infelizmente ficaram em casa por já não terem vagas para o evento”.

 

 

Na sua mensagem para os jogadores portugueses de Airsoft, os BESTA reforçam que “respeitem o jogo e quem se dá ao trabalho de o organizar para vossa diversão, para vos proporcionar eventos originais, com qualidade, dinâmica e convívio! Equipas há muitas, mas poucas são as que, com regularidade, promovem eventos com dimensão. Não olhem só pro vosso umbigo, preocupem-se em preservar o espírito de união e fair-play que está na base desta modalidade, para que a mesma tenha um futuro promissor e cada vez mais adeptos e organizadores de bons eventos!”

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