Por Telmo Fonseca

Uma das mais populares armas de assalto em todo o planeta, a Avtomat Kalashnikova atravessou gerações, mantendo uma aura mística ao seu redor sem nunca envelhecer. Para esta análise, a Evolution Airsoft brinda-nos com um modelo que embora sendo low cost, tem bastante pedigree escondido no seu interior.

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Depois de passar o último mês a analisar algumas armas de gama média e alta com um comportamento absolutamente irrepreensível, confesso que estava um pouco receoso do que ia encontrar à minha frente para esta edição, já que a gama “Combat Series” da Evolution Airsoft é assumidamente “low cost”, destinada a um mercado completamente diferente das suas congéneres mais caras. E têm como concorrência um sem fim de marcas de fabrico chinês que, por não terem qualquer controle de qualidade nem pagarem trademarks, afirmam-se no mercado com preços bastante atrativos. E como é que a casa italiana decidiu combater isso? Com um packaging decente, controle de qualidade nos produtos que comercializam, e a reputação de uma marca com quase tantos anos como os que o Airsoft tem, a Classic Army.

Para o efeito, partindo de uma plataforma sobejamente testada e conhecida e sem acrescentar rigorosamente inovação nenhuma, a CA inseriu uma gearbox com as suas peças mais comuns dentro de um corpo em metal, acrescentou uma bateria de células grandes e um carregador simples, e “voilà”: por pouco dinheiro temos um conjunto “de marca”, pronto para jogar durante o que se esperam ser alguns bons anos, e que não envergonha rigorosamente ninguém.

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Começando por fora, encontramos todos os elementos básicos de uma AK, já que a sua congénere real também ela é bastante básica. Ainda assim, a mira traseira é regulável, o corpo em metal com trademarks minimalistas convence, e o seletor de tiro em alterna solidamente entre os modos safe, full e single shot, como seria de esperar.

O guarda-mãos, o punho e a coronha pretendem replicar o habitual contraplacado da arma real, mas como seria de esperar não o fazem da melhor maneira, já que a textura inexistente, o brilho excessivo e a leveza de todo conjunto denunciam simples peças de ABS pintadas. Ainda assim, destaco pela positiva a quantidade enorme de espaço dentro da coronha, e que permite alojar qualquer tipo de bateria, ao contrário do exíguo espaço no topo da arma onde habitualmente se procede à arrumação das células responsáveis por alimentar a máquina.

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Confesso que os externos não preenchem minimamente os meus parâmetros de qualidade, com as partes em metal a acusar prematuramente algum desgaste, e alguns elementos de plástico que rangem e abanam de forma duvidosa. Mas é no seu interior que a AK47 – sim, podemos chamá-la pelo seu nome, porque os tipos pagam os trademarks – me convenceu de que esta é uma boa aposta, não só para um aprendiz de guerreiro, mas também para qualquer outra pessoa que pura e simplesmente não esteja disposta a pagar demasiado por um brinquedo de fim de semana, e ainda assim queira uma arma decente!

Os internos que encontramos dentro a AK47 são praticamente os mesmos que equipam modelos que custam o triplo do preço desta arma, todos eles testados e amplamente aprovados por gerações de possuidores de armas da Classic Army, sendo que a única diferença visível está nos bushings em metal, em oposição aos rolamentos das gamas mais altas. A cablagem é decente, e a guia de mola é em metal, e o shimming não é dos piores. Todo o conjunto está bem lubrificado, e não apresenta as terríveis folgas que encontramos em marcas de fabrico chinês, o que me permitiu avaliar que existiu critério na escolha dos materiais e qualidade na montagem.

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Ligada a bateria, o premir do gatilho brinda-nos com um agradável ciclo de funcionamento, sem ruídos que denotem má afinação ou folgas entre os componentes mecânicos. A AK47 funciona bem e veda de forma excelente, com uma variação surpreendente de 4 FPS, proporcionando um tiro claramente acima daquilo que eu estava à espera dela. A câmara de hop-up funciona muito bem neste modelos… é uma característica inerente à plataforma AK, e o cano longo desenrola os 310 FPS médios da BB para distâncias acima dos 40 metros, com um grau de dispersão mínimo, isto para uma arma barata que acabou de saltar da caixa para as minhas mãos.

Apesar dos muitos defeitos que encontrei, esta arma acabou por convencer-me. E recomendo-a para quem não esteja disposto a gastar muito dinheiro.

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