Por Telmo Fonseca

Ao serviço desde 1957, a M60 sempre foi uma arma que apresentou vários problemas de design e funcionamento mas, ainda assim, após vários desenvolvimentos, popularizou-se, integrando ainda as fileiras de várias forças armadas um pouco por todo o mundo.

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A munição 7.62×51 interligada por elos permite fazer estragos consideráveis pelos operadores desta arma e, tendo em conta o facto de ser portátil, tem grande utilidade em qualquer equipa de combate. Derivada maioritariamente das armas alemãs da II Guerra Mundial, foram mais os motivos políticos que os práticos que originaram a sua construção e alocação a unidades militares americanas. Os EUA deram preferência a um produto americano ao invés do que estava disponível em outros fabricantes.

Mais tarde, e com a sua aparição na Guerra do Vietname, onde ganhou a alcunha de “o porco”, graças ao seu tamanho e peso consideráveis, começaram a surgir todos os problemas que originaram as inúmeras alterações que sofreu até ao modelo atual. Começou a ser substituída pela M249 nos anos 80 mas, ainda assim, são várias as unidades que ainda a utilizam.

O simples ato de retirar a Phantom M60 da sua volumosa caixa de transporte deixa adivinhar a amálgama impressionante de metal que vamos meter a análise, refletindo-se numa imediata dor de costas deste vosso autor que já começa a ter idade para se dedicar a desportos claramente menos agressivos!

É uma arma que impressiona por todos os ângulos, desde o já referido peso, ao aspeto geral, e finalmente ao funcionamento.

Das dezenas de análises de equipamento que já fiz até à data, foi a primeira vez que fiquei com a sensação de estar a mexer numa arma real, tal é o respeito que a M60 logo impõem.

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Sendo apenas o punho e a coronha fabricados em compósito de plástico, tudo o resto são detalhes em metal, entre partes móveis e imóveis, funcionais e decorativas, com um acabamento cujo critério de avaliação foge ao normal. Por não ter termo de comparação, e por se querer o mais realista possível, sai com nota claramente positiva no que toca ao aspeto exterior.

A miríade de pequenos detalhes fazem toda a diferença, e é uma arma que se pode admirar de todos os lados.

As miras mecânicas além de ajustáveis são funcionais, e o manobrador da culatra também. O espaço para bateria é exíguo, sendo que apenas me posso queixar da dificuldade para montar a caixa de munição, com capacidade para mais de três milhares de BB no seu interior. Felizmente que só se tem de fazer isso uma vez. Ainda o tilintar de algumas peças externas, que é perfeitamente aceitável, dada a quantidade massiva de metal empregue na construção deste modelo.

O realismo das juntas de soldadura simuladas confere ao conjunto um ar soberbo.

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Os internos, partilhados com o modelo Phantom Mk43 M60E4, são absolutamente blindados. A gearbox é um autêntico tijolo, completamente reforçada, e com componentes comuns às AEG de gearbox versão II, embora simplificados. Além dos hidráulicos normais, no seu interior apenas existe o motor, as três gears e um switch que controla tudo.

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A M60 trás de origem um mosfet, que permite uma pequena regulação de ROF pelo utilizador, rodando um botão na parte da frente da arma, tudo ligado a este switch simples. Não existe anti-reversal, nem switch plate, nem selector plate… Esta arma só faz full auto, pelo que simplificaram-se os seus internos ao máximo.

Destaque ainda para a facilidade de remoção da mola principal, bastando para o efeito accionar uma patilha na parte superior da gearbox, que solta a guia de mola.

Ou seja, mudar a potência a esta arma demora alguns segundos apenas, não sendo sequer necessário retirar a gearbox do receiver, algo que ainda assim é feito com a simples remoção da coronha, cano, e quatro parafusos nas laterais.

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A câmara de hop-up é acessível, e embora o seu perfeito funcionamento implique uma pequena intervenção técnica, já que o calço fornecido é demasiado curto, desempenha o seu papel sem grandes falhas.

A M60 não é uma arma com uma precisão fora do normal, mas esse também não é o seu objetivo. Aliás, quanto maior a dispersão, melhor, para deste modo brindar o adversário com uma verdadeira “chuva de BB” oriunda de todas as direções.

O tiro não se fica rigorosamente nada atrás do aspeto geral desta arma e, alimentado pelo motor elétrico na caixa de munição, que constantemente serve BB ao insaciável mecanismo da M60, a única expressão que me ocorre para categorizar os ainda assim amenos 298 FPS de potência desta beleza é: não se metam à frente disto!

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