Por Telmo Fonseca

A famosa frase dos Monty Python “E agora algo completamente diferente” aplica-se na perfeição a esta arma, embora excluindo a conotação irónica que os britânicos aplicavam ao seu trabalho, uma vez que esta proposta da Evolution Airsoft é muito séria.

A razão de existir do modelo LR300 tem que ver com a supressão de algumas necessidades básicas exigidas pela famosa Seal Team 6, que pretendiam uma plataforma AR15 modificada para melhor transporte e maior alcance efetivo. Ao mudar a mola do sistema de gás do buffer tube para o topo do corpo da arma, e prolongando a mesma ao longo de todo o cano até à frente da arma, a ZM conseguiu não só reduzir o recuo, consequentemente aumentando a precisão, mas também libertar o espaço na zona traseira da arma, podendo assim aplicar-lhe a coronha RDS (Rapid Deployment Stock). O resultado final é a única plataforma AR15 com coronha rebatível, e ainda assim com um alcance de tiro superior, ou seja, e como o próprio nome indica, a LR300 (Ligth Rifle 300 meters range). O sucesso foi tão grande, que a LR300 acabou por ser adotada por todo o tipo de unidades militares e policiais inseridas em teatros de combate urbano, como por exemplo a SWAT americana.

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Não fugindo a este conceito radical, a Evolution Airsoft traz-nos agora vários modelos totalmente licenciados pela ZM, em preto e TAN, assentes nessa premissa de inovação sem compromissos. As LR300 que estiveram nas nossas mãos são armas de funcionamento soberbo, carregadas de pequenas inovações que, no seu conjunto, tornam esta plataforma em algo extremamente apetecível, independentemente das reações que a sua estética possa despertar.

De trás para a frente, a coronha RDS, rebatível e ajustável em 5 posições, integra todo um conjunto absolutamente sólido, sem qualquer folga, e com um peso considerável. A única peça não metálica no exterior de toda a arma é o vulgar punho que aloja um motor high torque da Classic Army. O corpo tem bons acabamentos, embora o mais pequeno toque deixe lascas na frágil pintura, algo que me provocou alguns constrangimentos na altura de a desmontar sem lhe deixar marcas. Tudo isto fica completo com os trademarks e número de série individual gravados, miras mecânicas ambas rebatíveis, ajustáveis e amovíveis, e com opção traseira dos modos de combate ou precisão. O bolt catch tem todas as peças para ser funcional, mas em todos os modelos analisados apenas prendia a janela de ejeção com uma pequena assistência a partir do lado esquerdo.

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Na frente, existem várias opções de rail de nove polegadas, desde completos a semitubulares, embora todos com o mesmo sistema de montagem. Desapertando dois conjuntos diferentes de quatro parafusos cada, e deslizando todo o guarda-mãos para a frente, temos acesso ao alojamento da bateria, ficando logo à vista a excelente cablagem multifilar com revestimento em silicone de alta temperatura 16AWG. Realço aqui um ponto negativo… são necessários quase cinco minutos para o fazer, correndo o risco de perder algum parafuso, e isto no conforto da bancada. Imagino a dificuldade para ligar uma bateria na mala traseira do carro, antes de um jogo!

Retirando ainda o rail superior, temos acesso à afinação do efeito de blowback que, embora simples, não deixa de ser uma mais valia que funciona muito bem, sendo a diferença no recuo bastante notória, além de replicar quase na perfeição a plataforma real sobre a qual se baseia. Ainda sobre o efeito de blowback, e à imagem de outra arma já analisada na edição anterior (DEVGRU DG36), é um sistema muito simples e funcional, que confere um aspecto realista à arma aquando dos disparos.

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No interior, nota-se claramente que a Evolution não se poupou a qualquer compromisso, recheando a gearbox de tipo II com todo o tipo de peças topo de gama da Classic Army, sendo de destacar o pistão em policarbonato com todos os dentes em aço.

Gears em aço, assentes em rolamentos de 8mm, guia de mola em metal, cabeça de cilindro em metal e nozzle boreup compõem o resto do conjunto. A casa italiana está tão confiante neste conjunto que apenas recomenda uma revisão depois de 60.000 disparos. Mesmo a simples mola de um joule é capaz de atingir performances surpreendentes, graças à excelente vedação de todos os hidráulicos, com especial destaque para a câmara de hop-up melhorada. Sobre esta última, totalmente fabricada em metal, tem uma afinação muito precisa.

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Os três FPS médios de variação dentro da média de 309 FPS medidos são a prova viva de que pouco ou nada se pode fazer para melhorar ainda mais esta arma. E aqui, caro leitor, não estou a ceder perante nenhum compromisso comercial, como aliás sempre foi meu compromisso perante todos vós.

O tiro é realmente espetacular, com um alcance para cima dos 50 metros depois da devida afinação de hop-up, acompanhado de um ruidoso movimento da janela de ejeção e de todo o conjunto de mola e guia de mola por cima do corpo e ao longo de todo o cano externo, sentindo-se cada disparo no ombro onde está encostada a peculiar coronha. Já sobre o preço, não é uma plataforma barata. Mas após a análise, cheguei à conclusão que esta proposta da ZM oferece ao seu utilizador precisamente aquilo que anuncia: qualidade, performance e originalidade, e com muito poucos senãos! É uma arma soberba, que “saltou” diretamente para a minha categoria de favoritas, tendo obtido a melhor pontuação que já atribuí numa análise.

 

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