Por Telmo Fonseca

Para quem não está familiarizado com a série PTW (Professional Training Weapon), é imperativa uma explicação. A Systema é um fabricante japonês de produtos de Airsoft, sendo que a maioria das pessoas está familiarizada com as suas peças padrão para AEG clones de Marui, mas poucos conhecem ou usaram uma PTW.

Eu tenho sido um defensor de longa data dos componentes desta marca, e construi muitas AEG onde usei os seus conjuntos de engrenagens, pistões, kits bore -up, entre outras peças. Mas quando surgiu a PTW em 2007, e apesar da curiosidade que isso me motivou, o seu preço elevado levou-me a optar por orientar o pensamento, tentando meter de lado o desejo de ter uma PTW e continuar a construir AEG “normais”, embora com peças da Systema. Só mais tarde, e devido ao desejo de ter uma na minha coleção, finalmente acabei por comprar uma Systema PTW. Aberta a embalagem, e ao primeiro contato com a PTW, a nítida qualidade e solidez de toda a estrutura da arma fizeram-me dizer em voz alta “Porque é que não a comprei mais cedo!”

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Com tudo fora da caixa, decidi testar o cilindro vermelho (M150), avaliado em mais de 500 FPS, ligado a uma bateria de 11,1V, e puxo o gatilho… WHAAAAAPPPPP! A arma funciona com uma M150 em full-auto como se não fosse absolutamente nada! Foi lindo. Da troca de cilindro pela versão dourada (M130) resultou um semiautomático ainda mais gratificante. Limpo, nítido, com tiros individuais a cada acionamento do gatilho, sem excesso de rotação, sem luta, apenas um POP-POP-POP-POP tão rápido quanto eu podia puxar o gatilho.

O princípio de funcionamento é o mesmo das comuns AEG, embora a forma como realmente funciona seja bastante diferente. É japonesa, é precisa e não tem falhas. E é esta precisão do mecanismo que a torna tão diferente de todas as outras.

O cilindro é muito sólido, não tem folgas, e tudo é construído a pensar no resultado final. Não tem tappet plate, sendo que o movimento do pistão proporciona o funcionamento do airnozzle. Logo, por muito rápido que seja o ROF, a PTW não se engasga.

A gearbox é mais pequena que as que equipam uma AEG. No entanto, tem mais gears no seu interior, funcionando com planetárias, ou seja, faz com que se possa usar mais tensão nas molas com menos esforço para o mecanismo, sendo surpreendente o facto de este princípio não ser usado em todas as AEG. A controlar tudo isto, temos o cérebro eletrónico. Não querendo alongar-me em mais explicações mecânicas ou termos técnicos para explicar o que é uma PTW, quero sim justificar que esta vale o dinheiro que custa. E não o digo como vendedor, mas sim como jogador.

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Levantando ainda qualquer outra suspeita, resta a questão sobre a opção de comprar uma Systema PTW, existindo várias alternativas mais económicas que copiaram o seu funcionamento. A resposta é a qualidade de tiro e a robustez dos mecanismos. Não sendo eu apenas um mero utilizador de PTW, mas também um mecânico, pelas minhas mãos passaram mais de centena e meia destas armas e, como seria de esperar, também estas têm avarias, apesar de que 95% delas sejam derivadas de má utilização. E sim, os restantes 5% provêm do motor, algo que a Systema não resolve. São japoneses e muito teimosos. Mas também para esse facto existem soluções baratas. As cópias de PTW não replicam a qualidade dos materiais usados no original, e a electrónica está a anos luz de distância. Não existe mais nada capaz de usar uma mola M150 e durar anos a fio, sempre com a mesma consistência. Um Fiat não é um Ferrari só por ter o mesmo número de rodas.

Comprar uma PTW não faz de ninguém um jogador melhor, nem tão pouco é uma arma que acerte nos alvos sozinha. É sim um instrumento de precisão e qualidade inigualável, em que o seu proprietário se vai limitar a carregar a bateria jogar sempre que lhe apetecer, tendo a confiança de uma arma que não lhe vai falhar.

Além de que será provavelmente a última arma que irá comprar, a não ser que lhe apeteça ter uma segunda ou terceira Systema PTW. Já dar o devido descanso à carteira é que não será provável, uma vez que embora internamente não valha a pena gastar dinheiro, por fora não falta o que personalizar.

Resta-me, a bem de uma análise mais alargada, dar a minha opinião pessoal, de alguém que pela primeira vez passou mais de 5 minutos com um brinquedo destes na mão. Quando OCaleiro me enviou a First Variant, o modelo de topo da marca para 2013, e cujas fotos figuram ao longo desta análise, confesso que tinha algum receio daquilo que ia encontrar pela frente, depois de tanta expetativa formada por anos e anos de opiniões de terceiros que foram sendo partilhadas comigo.

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E confesso que, pessoalmente, a primeira impressão é de que é uma arma como tantas outras, se pusermos de parte o sentimento de culpa por termos nas mãos algo tão caro e exclusivo. É leve, tem folgas entre os receivers, e não tem um packaging particularmente especial. A diferença mais óbvia aparece apenas na qualidade do material ao toque. É, de facto, diferente.

Existe algo na Systema PTW que tem de ser esclarecido desde já. Como o próprio nome indica, não são armas concebidas para a prática de Airsoft recreativo, mas sim para o exigente treino militar ou policial. Partindo desse princípio, não foram construídas a pensar em limites de FPS, nem em milhares de disparos feitos por um utilizador inexperiente.

São sim instrumentos de precisão, fabricadas em materiais claramente mais nobres que a comum AEG, com um mecanismo desenhado para aguentar potências bem acima daquilo que nos é permitido, e cujo objetivo principal é meter a munição a caminho do alvo no mais curto espaço de tempo possível, como uma arma real. O seu peso e as suas partes móveis replicam na perfeição uma M4A1 real, onde apenas falta o “coice” e a ejeção de cápsula após o disparo. As semelhanças são tais que isso tem motivado alguns artesãos experientes na matéria a adaptar corpos de armas reais para acolherem o mecanismo da PTW, e todos os acessórios destinados a uma AR-15 são compatíveis com esta arma.

 

 

 

Ligada a bateria, e tudo isto começa a fazer sentido. Com um ciclo de tiro seco e estupidamente rápido, apenas comparável com uma GBB, as BB voam em direção aos mais de 40 metros de alcance sem a mínima inconsistência. A câmara de hop-up é muito precisa e, apesar de não ter um acesso muito fácil, não carece de grandes regulações. Pode-se quase dizer que o hop-up de uma PTW é afinado para o cilindro, e não para a meteorologia. Os agrupamentos são soberbos, e a variação de FPS é praticamente inexistente. A troca de cilindros é fácil, e permite adaptar a arma a todo o tipo de jogos e limitações… ou a falta delas!

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Se recomendo a compra de uma Systema? Eu, pessoalmente, já decidi que não volto a passar sem uma!

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