Por Luís Costa “Widowmaker”

Quando a Alemanha Nazi invadiu a União Soviética, em Junho de 1941, seguiram-se meses de derrotas desastrosas para o Exército Vermelho, que quase levaram o país à destruição. Apenas a capacidade de sacrifício do seu povo e dos seus soldados conseguiram mudar a maré, até à conquista Berlim, quatro anos mais tarde.

O equipamento de guerra do exército vermelho foi sendo alterado ao longo da Guerra, tendo sempre em vista a simplicidade, já que as fábricas estavam obrigadas de produzir equipamento suficiente para equipar milhões de soldados da forma mais rápida e económica possível. Isto fez com que o soldado soviético, mesmo sendo de elite, estivesse equipado de forma muito simples quando comparado com combatentes de outros países. O mesmo soldado também era treinado apressadamente, e atirado para as linhas da frente, onde deveria aprender os básicos com outros soldados mais veteranos (alguns meses) ou apenas tornar-se num herói ao perder a vida pela pátria.

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Na cabeça ele tem a Pilotka, com a estrela soviética pintada em verde de combate. Alguns soldados mais sortudos ou veteranos conseguem usar o capacete SSh-40, que apesar de estar bastante difundido por toda a frente de combate, não equipava todos os soldados, devido a dificuldades de abastecimento e por ser visto como um peso desnecessário. No inverno, não faltavam as famosas ushankas, chapéus de pele que cobriam a cabeça e as orelhas dos combatentes.

Como uniforme principal temos Obr43 Gymnastiorka, uma túnica de cor única caqui. A versão aqui apresentada é de 1945, a mais simples de todas, apresentando insígnias de soldado, um colarinho alto e sem bolsos. As medalhas ao peito mostram que o soldado pertence a uma unidade de Guardas (unidades que se distinguiram em combate) e esteve em combate em Estalinegrado. Para além das medalhas de bravura, existiam também no exército russo medalhas comemorativas de batalhas, ou conquistas, e que eram mostradas com orgulho pelos soldados, sendo estranho no fim da guerra que um soldado não apresentasse uma única medalha alusiva à sua participação num evento glorioso para o exército vermelho. As calças são inspiradas na cavalaria, entrando dentro das botas com amarras um pouco abaixo da zona das canelas. A diferença de cores entre o equipamento é representativo da capacidade de produção da União Soviética, na qual diversas fábricas e pequenas oficinas familiares produziam uniformes sem grande cuidado na tonalidade do tecido, que era entregue posteriormente de forma aleatória, de acordo com as necessidades. Após 1941 começou a aparecer um casaco acolchoado de nome Telogreika, feito de algodão e usado por cima do uniforme normal como roupa de inverno.

A nível de equipamento tático, temos um cinto de combate que não era mais que um simples cinto de cabedal, que variava em aspecto de acordo com o que estivesse disponível. A sacola da máscara de gás era usada para armazenar comida, munições ou qualquer coisa que o soldado achasse útil, com exceção da mascara de gás, que era deitada fora. O cantil de metal era colocado dentro de uma simples bolsa de tecido.
A arma é a pistola metralhadora PPSh-41, que para suprimir a necessidade de treino, chegou a equipar batalhões, com o intuíto de providenciar uma parede de balas sobre o inimigo. A arma usava tambores de 71 balas ou carregadores de 35 balas, e existiam várias combinações entre as tropas sobre a melhor forma de levar munições. O tambor permitia um maior volume de fogo ao passo que os carregadores permitiam um recarregamento mais rápido, sem encravarem. Era também usual o reaproveitamento de equipamento alemão, como por exemplo as suas granadas.

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As botas estilo cavalaria chamam-se Sapogi, uma mistura de cabedal e lona pintada que foram usadas após a campanha da Finlândia. O soldado russo, sempre à procura de algo para saciar a fome, colocava nelas a sua colher de rancho, por forma a nunca perder uma hipótese de reclamar a sua porção de Borsch.

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A Veschmeshok era, à falta de melhor definição, um simples saco com alças que servem de fecho, não tendo bolsos nem divisórias, utilizada como mochila, e assim servindo para armazenar de um pouco de tudo. Atravessado ao peito encontramos ainda a Plash-palatka que, em termos práticos, é uma capa de chuva que servia também de poncho, tapete, abrigo, tenda e cobertor. Por vezes levava por dentro a grande gabardine, que servia de saco-cama ou agasalho.

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