Por Telmo Fonseca

Lançámos um desafio à loja OCaleiro: e que tal fazermos um upgrade total a uma réplica comum? Com uma montanha internos Classic Army a estrear em cima da bancada, lançámo-nos ao trabalho. Impera começar por referir a questão das compatibilidades, algo que faz desesperar qualquer aprendiz de mecânico de AEG. Isto é algo que não se ensina, e a única forma de aprender é o extenuante processo de tentativa e erro. Raras são também as lojas que conhecem ou sabem informar com precisão as compatibilidades entre as marcas. O correto funcionamento das AEG depende de margens de erro e pequenas oscilações, ao contrário de uma PTW, onde tudo é justo e funciona (ou falha) por precisão.

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A título de exemplo, podemos pegar numa gearbox de tipo II, a mais comum de todas (e que equipa normalmente os modelos AR-15, SCAR, MP5, entre outras), e uma peça em específico: o simples nozzle. Depois vamos ao mercado, e encontramos várias opções de upgrade desse simples cilindro plástico. Posso-vos garantir que embora todas as embalagens digam “versão II” ou “Para M4”, não vão encontrar dois nozzles exatamente iguais. E a instalação de um nozzle terá um papel dramático na alimentação das BB (mesmo ao ponto de falhar redondamente) e na consistência de tiro. Existem incompatibilidades com a cabeça de cilindro, a câmara de hop-up, o tappet plate… basicamente é o caos!

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Depois, temos a questão das oscilações. Uma gearbox não está tão presa ao receiver quanto aparenta. A descarga da energia da mola faz com que todo o sistema oscile, e é suposto ser assim, já que caso contrário partia-se em pedaços. Para provar esta minha afirmação realço a utilização da pequena mola que empurra a câmara de hop-up contra a gearbox. A falta desta mola compromete todo o funcionamento do sistema.

Dito isto, por esta altura o leitor já se questiona qual é então a solução para este problema, mas essa solução passa apenas pela mistura de dois pequenos fatores: marca e experiência. Ou seja, deve-se optar sempre por adquirir peças da mesma marca da arma a modificar, e experimentar o máximo possível com peças de outras marcas. Com o tempo, criam-se receitas que funcionam. A título de exemplo, os nozzles boreup da Classic Army são mais compatíveis com as upper gearboxes da ICS que os próprios nozzles da ICS.

Continua num próximo artigo…

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