Por Telmo Fonseca

A marca de Taiwan nunca deixa de surpreender em termos de apresentação, e a Xtreme 45 não foge a essa regra. Acomodada numa simples caixa de cartão carregada de “brandings”, e acompanhada unicamente pelo robusto mag com capacidade para 16 BB, uma ferramenta de afinação de hop-up e aperto da botija de CO2, um completo manual de instruções e um pequeno saco de BB, esta pistola tem a capacidade de fazer parar o trânsito só de olhar para ela.

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Com um peso bastante consistente, e um aspecto geral interessante, saltam imediatamente à vista a quantidade de peças cromadas do conjunto. Apesar de ser fabricada por injecção de metal, de cujo processo resultam algumas marcas visíveis de costura, a Xtreme 45 enche a mão e providencia-nos uma agradável sensação de que estamos a empunhar algo com “pedigree”, diferente das demais. Diferença essa patente em vários detalhes que enunciaremos mais à frente, já que o sistema de funcionamento é assumidamente atípico, começando desde logo pelo gas utilizado na sua propulsão, o CO2. Este tipo de gas reúne pouco consenso entre os seus utilizadores, mas para o efeito está disponível na secção de mecânica (página 47) um “guia de sobrevivência” para optimizar a sua utilização.

Referente ainda a outros detalhes externos, destacamos a elevada folga entre a corrediça e o corpo da arma, o guarda mato arredondado que permite a sua utilização nos muito difundidos coldres CQC para modelo 1911, o ponto de mira dianteiro, e os trademarks gravados a laser sobre um conjunto quase totalmente fabricado em metal, com excepção das platinas com incrustação de logotipo que, infelizmente também não são compatíveis com outras peças “after-market”. Com recurso a um pequeno iman, ficamos ainda a saber que as únicas peças fabricadas em metais mais nobres são os vários parafusos visíveis em todo o exterior.

Inserida a botija descartável de 12 gramas e municiado o carregador – tarefa francamente fácil de efectuar – e depois de vencer a gigantesca folga do gatilho, a Xtreme 45 surpreende-nos com um ruidoso disparo, um alcance e uma precisão capaz de deixar qualquer utilizador boquiaberto, algo que ainda é possível melhorar depois da precisa afinação do inteligente sistema de hop-up. Devo referir, e ainda relativamente ao sistema de hop-up, que a xtreme 45 tem a melhor afinação que já encontrei numa pistola por propulsão a gas, já que o acesso ao mesmo faz-se pelo topo da arma, não carecendo de qualquer desmontagem da mesma para essa ou para quase nenhuma outra função. E este factor, juntamente com a grande potência, são as melhores características de todo o conjunto, que prima pela simplicidade de utilização. O próprio ciclo de “Gas Blow Back” da xtreme 45 é exclusivo da mesma, sendo que a corrediça apenas recua entre 2 e 3 cm atrás para armar o cão, deixando a BB a ser disparada sempre dentro do carregador.

Além da corrediça, as restantes partes móveis são poucas, entre a patilha de segurança funcional que apenas peca por não ser ambidextra, e o simples mag release. Tudo o resto é meramente estético.

Em termos de utilização, a Xtreme 45 é prática e muito potente, embora creio que se adapte melhor ao tiro prático que ao regular “skirmish”, já que as 16 BB que o carregador permite alojar, e o facto de a utilização de CO2 implicar um tiro mais espaçado, são problemas apenas ultrapassados pela média de 370 FPS nos três carregadores que ela permite “despejar” recorrendo a uma única botija de 12 gramas, tudo isto com uma variação média de 15 FPS.

Em jeito de conclusão, a Xtreme 45 é uma arma que faz juz ao seu nome, e é nesses extremos aqui referidos que o potencial comprador deverá avaliar se os 130 euros pedidos por ela nas várias lojas onde está disponível serão um preço justo. No meu caso, foi daquelas coisas que “primeiro estranham-se, depois entranham-se”, acabando por me convencer de que esta é uma arma única e especial, e que veio para ficar!

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