Por João Esteves (em fevereiro de 2013)

Passados praticamente dois meses das “Primeiras Jornadas de Airsoft”, que sentaram à mesa APDs e lojistas e onde se traçaram linhas gerais de atuação comum quer para as APDs quer para as lojas, impõe-se colocar algumas questões a este respeito. Que esforços foram encetados para estender o consenso conseguido nessas jornadas às restantes APDs, e com que resultado?

Nesta primeira reunião ficou a ideia que as ausências verificadas deveram-se, talvez, ao fato de ser a primeira e ainda não se dar o valor que se pretende às mesmas. Pensamos que nas segundas jornadas já terão uma maior participação e assim sucessivamente. Não podíamos estar à espera que algo que começa de novo vá logo ter uma máxima adesão. É o normal, não só no airsoft.

Sendo que ficou acordado a criação de “jornadas/congressos/reuniões anuais onde todos os intervenientes no Airsoft possam ter uma palavra a dizer, poderão avançar alguma data, mesmo que provisória, para que este evento ocorra?

As próximas jornadas, ainda não teriam a participação aberta de todo o praticante mas ficou essa possibilidade, claro que de forma minimamente ordenada e controlada. Era nossa intenção que se realizasse as próximas até ao fim deste trimestre.

Em que moldes estão a disponibilizar mais e melhor informação aos associados recém–chegados à modalidade?

Sendo a APMA uma Associação recente, começámos desde logo por disponibilizar toda a informação que temos disponível, como podem verificar. Termos um site, uma página facebook e uma política aberta para todo o tipo de meios de informação. Além do mais, todas as dúvidas que nos chegam, respondemos sempre de forma aberta e sem rodeios, ainda que nos possa custar menos associados.

Ainda a este respeito, que meios estão ao dispor das lojas no que respeita à prática e ética desportiva?

O facto de se fazerem inscrições nas lojas já por si se torna uma forma de informação no que toca aos procedimentos a ter por quem quer praticar esta modalidade. As lojas têm um grande papel, uma vez que elas são o primeiro contacto com os futuros praticantes, quanto a isto não pode haver dúvidas.

A uniformização das normas técnicas entre APDs verá a luz do dia? Em caso afirmativo, existe alguma data prevista?

É a nossa intenção que isso aconteça, não queremos a modalidade para nós. Mas para ser exequível é preciso uma grande abertura, e é aqui que poderá morrer esse projeto, uma vez que teria que se perder alguma identidade própria em prol de uma bem maior. Nós estamos dispostos a isso, mas pensamos que não seja assim com todas as APDs e gostaríamos que com o tempo isso mudasse.

Qual a posição da APD no que concerne à aplicação dos tapa-chamas em alumínio anodizado, atendendo ao fato que o imperativo legal não incide exclusivamente à “boca do cano”, mas também ao punho ou coronha, sendo que para os últimos a mesma solução não é disponibilizada?

Pelo que nos deram a conhecer, embora de forma não oficial, as peças anodizadas, são bem aceites pelas Armas e Explosivos da PSP. Enquanto a lei não mudar no que toca a este aspecto, pensamos que seria uma boa forma de cumprir e fazer cumprir a lei, bem como a criação de peças que possibilitem a sua ocultação, uma vez que a substituição não é legal. A APMA está já a fazer diligências para que esta realidade esteja ao dispor dos nossos associados. Aguardem por mais desenvolvimentos futuramente.

Em Junho de 2012, foi tornado público, em Portugal, um estudo sobre a letalidade dos projéteis de Airsoft, intitulado “Airsoft lethality thresholds”. Este documento, elaborado pela Forensic Science Service deixa claro que a energia necessária para provocar danos irreparáveis ou até mesmo letais é de tal forma elevada que os valores calculados como seguros e sugeridos em relatório são de 1,3J para armas automáticas e 2,5J para as semiautomáticas e de tiro único. Está a APD a preparar, com base neste documento e/ou outros similares, alguma proposta de alteração da “lei das armas”? É possível elaborar?

Para nós, na lei há muitos aspectos que não têm razão de ser, além das pinturas, esta poderá ser uma delas. Mas no que toca a segurança tudo se torna muito subjetivo, começando na formação dos novos praticantes, e a ética na prática da modalidade. Teria que começar pela sensibilização para o fato de que até com 1 Joule se magoa o adversário.

Uma vez que é seguro, com base neste documento, a utilização de energias muito superiores ao limite atualmente preconizado pela referida “lei das armas”, qual a posição da APD quanto à questão da criação de “patamares” de limite de energia em função do tipo e utilização da arma, por exemplo?

Sim claro que estaríamos de acordo em criar estes tipos de patamares. Se a lei o permitisse, quem seriamos nós para não nos adaptarmos. Seria muito fácil, uma vez que teria em conta o fato de a arma ser automática, ou não.

Atendendo ao crescendo de praticantes e aparecimento de novas associações de promoção do desporto, também gostaríamos de colocar algumas questões. Como encaram o surgimento de novas APDs?

Encaramos da mesma forma que a lei base do desporto a descreve, como o caminho normal para modalidades novas que se estão a afirmar com o objetivo de crescerem e ganharem a dimensão, o respeito e visibilidade para que seja necessário a nomeação de uma Federação.

Sendo que, inevitavelmente, caminhamos para o reconhecimento do Airsoft como prática desportiva, que passos estão a dar no que respeita aos agentes desportivos, nomeadamente à formação de técnicos desportivos?

A APMA e nomeadamente esta Direção tem tentado introduzir a vertente competitiva, mas com muitas dificuldades. Temos constatado que o nosso praticante não vê com bons olhos o factor “competição”, com muita pena nossa. Enquanto não se firmar bons quadros competitivos, não é razoável falar em formação de técnicos desportivos.

Salvo melhor entendimento, o seguro desportivo apenas é exigido aos agentes desportivos inscritos nas federações desportivas. No entanto, algumas APDs entenderam subscrever seguro similar para os seus associados. Consideram a oferta de um seguro desportivo, uma mais-valia? Oferecem algum tipo de seguro aos vossos associados? Em caso afirmativo, como funciona e sob que pressuposto poderá ser ativado? Em caso negativo, porquê?

Esta é uma pergunta necessária, até porque fazem o mesmo entendimento que nós acerca deste tema, as APD’s não carecem de ter seguro. Quem organiza está obrigado a segurar os participantes para esses eventos. Quem não entende desta maneira, não se informa ou vai atrás do que lhes dizem e aponta-nos o dedo, mas esta é a verdadeira realidade. Não quer dizer com isto que não nos preocupemos com a segurança, por isso é que temo-nos disponibilizado servir de intermediários com mediadores nossos para fazer pelos organizadores, seguro para os seus eventos a uma melhor preço, como já aconteceu. Temos também os ARRT que são um grupo voluntário da APMA que se disponibiliza em ir para o terreno dos eventos prestar os primeiros cuidados necessários. A APMA não tem seguro para oferecer aos seus associados, não que não tenha tentado (embora não obrigatório), mas os preços não são suportados com o valor de quota que temos. Uma possibilidade de valor acrescentado está em cima da mesa.

Que outros serviços oferecem aos vossos associados e sob que pressupostos?

O nosso serviço é versátil e em constante adaptação, podendo ser definido de forma imediata de acordo com as necessidades que nos remetam. Não somos rígidos com padronização e vemos sempre para além da nossa frente. Numerando de forma geral, poderíamos destacar: Cedência de material, Voluntariado dos ARRT, Apoio organizacional, Seguro para eventos, Apoio financeiro e Aconselhamento, entre outros.

Que meios colocam ao dispor dos vossos associados e em que condições?

De certa forma esta questão encontra-se relacionada com a anterior. Em termos de condições, não somos muitos exigentes e como dito anteriormente, está é uma Direção muito aberta e disponível.

No caso de um praticante não associado, solicitar um serviço ou meio, poderá este ser cedido? Em caso afirmativo, em que condições? Em caso negativo, porquê?

A APMA, apesar de depender dos sócios que pagam as quotas, tem um objeto social de Promoção desta Modalidade. Assim sendo é obvio que tudo o que seja feito de acordo com o nosso “objeto” é bem visto por nós, e acredito que pelos associados que nos nomeiam. A condição fundamental é que seja sem fins lucrativos e em prol da modalidade sem discriminações. Só assim conseguimos marcar a diferença e ganhar a confiança de toda a comunidade praticante e não praticante.

Para o corrente ano, que ações estão a desenvolver no âmbito da promoção do Airsoft?

O nosso programa de atividades para o ano de 2013 foi aprovado na nossa ultima AG em Dezembro passado. Está disponível no nosso site, mas as que mais presença nossa têm, são as presenças nos eventos das equipas, a sue convite. Estamos também a planear fazer algumas exposições de “rua” para o público em geral.

Por fim, que mensagem gostaria de enviar quer aos actuais quer aos potenciais associados?

Que podem confiar na APMA e nesta Direção, que as contas estão em dia, que temos um grupo empenhado em os representar e que nos ajudem em vez de nos apontar o dedo. Que as diligências com as autoridades competentes estão a ser dadas e bem encaminhadas. Aos associados especialmente, que venham à próxima AG que irá ser marcada até o fim de Março para discutir e votar as contas de 2012.

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