Po Telmo Fonseca

Há quem considere as armas propulsionadas a dioxido de carbono como sendo muito instáveis, e assim apesar de estas nos proporcionarem mais potência de tiro, a sua aquisição é muitas vezes evitada. Neste artigo desmistificamos isso, e explicamos-te a forma correcta de aproveitar as vantagens do CO2.

O dioxido de carbono é utilizado em armas desde o século XIX, mas só nos anos 40 é que a empresa Crosman começou a comercializar com sucesso armas destinadas ao tiro ao alvo, recorrendo à propulsão por CO2. Estas tiveram uma adesão tão significativa por parte de atiradores de fim-de-semana, que tinham agora em sua posse uma arma que podia efectuar até 300 tiros com um único carregamento de uma botija militar de quatro onças, que muitas carreiras de bowling nos Estados Unidos foram sendo substituídas por carreiras de tiro.

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O Dióxido de carbono tinha vindo para ficar, e com o aparecimento da botija descartável de 12 gramas, peça que actualmente equipa 95% das armas de propulsão deste gas, a sua utilização democratizou-se por completo. Esta botija revolucionária permite efectuar entre 40 a 60 disparos, e pode ser “escondida” facilmente dentro de qualquer arma, não afectando o seu realismo, algo que o consumidor final procura avidamente.

Mas porquê o CO2? Além de ser relativamente fácil e barato de produzir, este gas tem uma característica essencial, que faz dele uma excelente escolha quando queremos estabilidade de tiro. Enquanto que a maioria a maioria dos gases requer compressão mecânica para produzir potência, a pressão do dióxido de carbono é determinada praticamente pela sua temperatura. É um gas muito complexo que passa quase directamente do estado sólido para o gasoso ao ser libertado na atmosfera, sempre com a mesma potência, praticamente até ao final da reserva armazenada, altura em que cai abruptamente. Os outros gases vão perdendo potência à medida que se esgota a capacidade do reservatório onde estão contidos.

A temperatura ambiente desempenha um papel importante na gestão do gas disponível, já que é a mudança de temperatura entre a passagem do estado sólido para o estado gasoso que origina a expansão do CO2, e consequentemente a potência final que é projectada contra a BB, impulsionando-a para fora do cano. Num dia quente, a potência de uma arma a CO2 será sempre maior que num dia frio, já que a diferença entre temperaturas será sempre maior. Existe inclusivamente o risco de rutpura em casos excepcionais, e por isso todos os recipientes de CO2 estão equipados com discos de ruptura, de forma a evitar explosões.

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O comprimento do cano interno da arma é um factor crucial para o aumento da potência. Quanto maior for o cano, mais tempo e espaço o CO2 terá para se expandir contra a BB à medida que esta percorre o comprimento do cano, adicionando-lhe cada vez mais potência. Enquanto que numa arma curta, como uma pistola, a potência de saída ronda normalmente os 350 FPS, existem casos de armas mais compridas a atingirem facilmente os 900 FPS com a mesma reserva.

Resumindo, a potência de uma arma a CO2 é ditada maioritariamente pela temperatura ambiente e comprimento do cano, embora existam mais alguns factores dignos de nota, que passarei a descrever. A parte negativa da utilização de CO2 tem também que ver com a questão da temperatura, já que aquando da sua expansão ao ser libertado, o dióxido de carbono arrefece todos os componentes mecânicos em seu torno, arrefecendo também a botija na qual ele está contido, originando uma descida de pressão e consequentemente de potência, bem como o número de disparos possíveis de efectuar com a mesma quantidade de gas disponível. Ou seja, ao utilizar uma arma propulsionada a CO2, os disparos devem ser espaçados, já que uma rápida sucessão de expansões de CO2 pode originar uma quebra de mais de 100 FPS, reduzindo também para menos de metade a quantidade de ciclos que é possível efectuar a partir da mesma botija. O ideal seria esperar até 15 segundos entre cada disparo, mas isso nem sempre é uma solução prática.

Nota final ainda para o facto de os primeiros dois ou três tiros a serem efectuados libertarem mais gás do que o normal, já que uma pequena parte do gás em excesso vai depositar-se em estado liquido quer sobre a válvula de desgarga quer dentro do cano interno, e expande-se aí, juntando-se ao resto do gas libertado e actuado sobre a BB. Depois disso, todo o sistema entra em modo de estabilidade até se esgotar a reserva de gas contida na botija, e apenas nessa altura a potência cai abruptamente, carecendo de substituição.
Por isso, as regras de ouro para utilização de armas propulsionadas a CO2 são a temperatura ambiente e o espaçamento entre disparos. Controlando esses dois factores, controlamos também o prazer proporcionado por uma arma de potência elevada e estável.

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