Por Telmo Fonseca

Um bom atirador sabe que o mais importante não é atirar para mais longe que todos os outros, mas sim fazer com todos os tiros façam diferença. Chama-se a isso de consistência de tiro, e esse é o melhor trabalho que se pode fazer numa arma de Airsoft: transformá-la numa plataforma estável, na qual podemos confiar que vai acertar no alvo antes sequer de apertar o gatilho. Para o efeito, há que desfazer alguns mitos:

Primeiro mito:

Mais potência equivale a um tiro melhor. Errado! De que nos serve ter 400 FPS, se não conseguimos acertar em nada? Uma arma com pouco mais de 300 FPS, desde que vede corretamente, não vai apresentar grandes diferenças de velocidade entre tiros, o que significa que eles vão cair onde esperamos que eles caiam. E quanto menor for a potência, mais facilmente se consegue controlar isso, já que as armas com FPS muito elevados tem tendência para apresentar variações maiores, resultando em diferenças de alcance, por vezes de 15 metros de distância. Essa consistência consegue-se com a vedação correta em quatro pontos essenciais (ver figura na página seguinte).

Segundo mito:

As peças mais caras e inovadoras funcionam melhor. Nem sempre. Tenho visto muitas peças de origem, algumas com um aspecto tosco e barato, a cumprirem a sua função de maneira melhor que outras bem mais caras, pelo que a relação preço qualidade nem sempre é linear.

Como proceder:

cilindro

1) Começando pela cabeça de pistão, existem vários modelos, fabricadas em materiais diferentes e com características diferentes, tais como as ventiladas, silenciosas, oversized, com rolamento, etc… A parte realmente importante é a vedação correta, e isso apenas depende do diâmetro do o-ring principal, e a sua respectiva lubrificação.

2) para vedar corretamente, o cilindro tem de ser adequado e estar em boas condições. Existem vários tipos de cilindro, adaptados à quantidade de ar necessária que têm de acumular para empurrar a BB ao longo do cano interno. As armas mais curtas vêm normalmente equipadas com cilindros de tipo C, com um buraco a meio, e quando se aumenta o comprimento do cano deve-se trocar também o cilindro para um adequado. Pessoalmente nunca vi nenhuma vantagem em cilindros furados, pelo que recomendo sempre os de tipo A, ou fechados. Também é importante que o cilindro não esteja riscado ou deformado, e seja corretamente lubrificado, evitando massa em demasia, que acaba por ir parar às BB, afetando a sua trajetória.

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Com a arma desmontada, e para avaliar a vedação, proceda da seguinte forma: Segure no cilindro da forma ilustrada, e empurre vigorosamente o pistão para a frente. Este tem de ficar preso e não se mover para a frente. Caso ele se mova, vá retirando peças e repetindo o processo até descobrir a fuga. Se chegar ao ponto em que já só tenha o pistão e o cilindro, retire o o-ring e lubrifique-o ou substitua-o, repetindo novamente o processo.

3) Não tem grande ciência, e eu pessoalmente nunca investi muito em peças “after market”. Desde que seja compatível com o cilindro e o nozzle, e a ponteira esteja bem fixa, cumpre a sua função. A falta de vedação ao cilindro também pode ser resolvida com um pouco de fita de teflon.

4) O mais importante no nozzle é o seu correto comprimento, sendo que algumas décimas de milímetro podem provocar a perda de vedação por falta de comprimento, ou a deficiente alimentação de BB por excesso de comprimento. De marca para marca, independentemente do comprimento anunciado, existem efetivamente diferenças, sendo que a escolha do nozzle correcto é das tarefas mais difíceis de fazer. Alguns modelos apresentam um o-ring interno, que ajuda muito na vedação com a cabeça de cilindro, o que é uma mais valia sempre bem vinda.

Já aqui falámos sobre as borrachas de hop-up, na segunda edição da 6mm Portugal, e sobre a importância da sua dureza, mas importa agora referir a importância do “lip”, aquela saliência que segura a BB antes de esta entrar para dentro da câmara de hop-up, que também afeta muito a potência de saída da BB.

Por último, a câmara de hop-up desempenha um papel essencial na gestão do ar, mas sobre essa já falamos neste artigo.

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