Por Telmo Fonseca

Fundador e Director da prestigiada empresa Redwolf Airsoft, Paul Chu, formado em engenharia informática, cedo apostou no marketing social online como a ferramenta de eleição para catapultar a sua empresa, cujos primeiros passos foram dados a partir de sua casa, para a liderança na distribuição de material de Airsoft. Segundo a Google, a Redwolf Airsoft é uma das 500 empresas cujo sítio da internet é mais visitado a nível mundial. Contando com clientes em mais de 60 países, o sonho inicial de conseguir fazer chegar o Airsoft a todo o globo está em vias de se concretizar. Aproveitando uma visita a Portugal, a 6mm Portugal conversou com ele.

Encontrámo-nos com o Paul Chu a propósito do périplo iniciado na Alemanha, feira IWA, e que o levará a visitar toda a europa. Após uma explicação sobre todos os contornos legais que regulam a modalidade em território nacional, mostrou-se francamente surpreendido com a obrigatoriedade das pinturas, confidenciando desconhecer situação similar à portuguesa. Assim, revelando uma enorme humildade e afabilidade, concedeu-nos a entrevista, em tom casual, que agora publicamos na íntegra.

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Paul, prazer em conhecer-te. Agora que travaste conhecimento com o Airsoft em Portugal e a legislação afeta à sua prática, o que pensas de tudo isto?

Apesar das restrições impostas, acho que Portugal tem sorte em ter Airsoft. Mais ainda, se considerarmos que existem países em pior posição, onde o Airsoft é simplesmente proibido.

Acho, também, que existe muito potencial aqui. Esperemos que, com o decorrer do tempo, as leis sejam amenizadas. A título de exemplo, posso referir a Holanda, onde recentemente o Airsoft foi totalmente legalizado. As leis são fluídas, pelo que existe sempre a oportunidade de mudarem, e talvez um dia retrocedam e, aí, já não terão de fazer a “coisa” amarela. O ponto fulcral é que vos é permitido jogar Airsoft, mesmo com as restrições das pinturas amarelas.

Do ponto de vista de um empresário, e já que estamos a falar da questão das pinturas, que tipo de aproximação prevês para que a Redwolf entre no mercado nacional?

Neste momento, temos a companhia RWA que trata das vendas a retalho mas, definitivamente, gostaríamos de trabalhar com mais comerciantes e fornecedores aqui em Portugal, fornecendo-lhes material e fazendo-os crescer.

Em termos de venda direta ao público português, foi algo em já nos focámos no passado mas, obviamente, a questão da obrigatoriedade das pinturas amarelas impede-nos de exportar diretamente para consumidores privados.

Daí que a nossa política de aproximação a Portugal continuará a ser uma política de base B2B*, fornecendo as lojas, e tornando-as bem-sucedidas. Isso fará com que o mercado cresça.

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O que pensas do Airsoft em Portugal e dos jogadores portugueses?

Ainda não tive oportunidade de participar em nenhum jogo em Portugal, mas ao ler a tua revista, e apenas ao olhar para as fotos, vocês aparentam levar isto a sério. O equipamento que possuem, os uniformes… Tudo parece muito bem. Diria até que aparentam ser tão sofisticados como qualquer outro mercado que já vi.
Espero que um dia possa regressar a Portugal e participar num evento.

Aproveito já esta oportunidade para te estender um convite nesse sentido. Da próxima vez que cá vieres, é só avisares com alguma antecedência, que nós preparamos qualquer coisa!

Achas que Portugal tem potencial?

Tenho visto algumas marcas boas aqui, mas devo acrescentar que existem muitos produtos de excelente qualidade a sair da Ásia, que ainda não vi em Portugal.

Creio que, em parte, isso está relacionado com o facto de o mercado estar em crescimento, não tendo atingindo ainda a maturidade. Penso que, para um jogador português, isso é muito excitante pois significa que existe sempre qualquer coisa nova a chegar cá.

Alguns produtos que já foram lançadas na Ásia há um ou dois anos, ainda não são muito populares cá. O que quer dizer que existe um gigantesco “pipeline” de material que está para chegar cá, tornando as coisas muito interessantes! Além disso, também é interessante para os negócios. Existem muitas oportunidades de crescer e de apresentar novos produtos aos jogadores. Para os jogadores é sempre bom ter novos “brinquedos”. Por isso, sim, existe muito potencial aqui!

Não sei ao certo quantos eventos de grande dimensão organizam, mas creio que criar mais eventos e fazer com que os fabricantes suportem e promovam as suas marcas nos mesmos fará com que o mercado cresça mais rapidamente e isso é algo que irei discutir com os fabricantes quando regressar a casa.

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Que novidades nos vai trazer a Redwolf nos próximos tempos?

Tradicionalmente, sempre fomos uma empresa de distribuição. Desde que assinámos licenças com vários fabricantes de armas reais, estamos agora a fabricar os nossos próprios produtos. Temos, por exemplo, uma nova linha de rails RAS System, licenciados pela Samson. A Samson é a companhia que costumava fornecer a Troy U.S., daí temos a nova linha de rails em fase de lançamento. E temos a linha completa de pistolas Nigth Hawk.
Também estamos a fabricar uma pistola IPSC, licenciada por uma empresa espanhola chamada SPS…Não sei se o IPSC é popular aqui?

Ainda é residual…

…Ok, ainda não. Isso apenas quer dizer que existe espaço para crescer. Em todos os mercados em que estamos presentes, toda a gente começa com as AEG, depois mudam para as GBB e, eventualmente, acabam por mudar para o IPSC.

Já vi esse tipo de evolução em todo o tipo de mercados. É um caminho comum. As armas de sniper também se tornam muito populares, antes do IPSC. É uma tendência que tenho visto em todo o tipo de países
Temos a questão da limitação dos FPS, pelo que as armas de sniper são muito populares entre novos jogadores, mas à medida que estes jogadores evoluem, acabam por virar-se para outro tipo de armas.

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O facto de os limites de potência serem restritivos não representa propriamente um obstáculo. Os snipers procuram mais o “look” e a sensação de ser um sniper. Neste momento, na Ásia… É muito estranho mas, a Ásia está na vanguarda do Airsoft. Muitas tendências partem de lá e, um ano depois, vemo-las espalharem-se por toda a Europa. Quando olhamos para a Ásia, quase que podemos ver o futuro. Fazendo uma analogia, é como olhar para Milão, na questão da moda: O que quer se seja que se torne popular em Milão, um ano mais tarde, é popular na Ásia. Para o Airsoft, é um pouco a mesma coisa.

As “modas” do Airsoft são lideradas pela Ásia. Este ano temos visto uma gigantesca procura de armas de sniper, e não quer necessariamente dizer que tenham de ter alta potencia. É uma espécie de moda.

Tu vestes-te como um sniper, e mesmo que tenhas os limites de potência, com um bom sistema de hop-up consegues aumentar consideravelmente o alcance. Tem mesmo muito a ver com a reencenação. Apesar de não ter a certeza, estou mesmo convencido que… até quase a adivinhar que Portugal seguirá a mesma tendência.

Para terminar, o que achaste do nosso País?

É bom, muito simpático. A comida é boa, a paisagem é fantástica, o tempo é agradável… Gostei bastante, e espero poder voltar cá novamente. Obrigado por me receberem!

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