Por Paulo Fragata e Carlos Rosallis “Autopilot” 


A Guerra do Vietname foi um conflito armado ocorrido no Sudeste Asiático, entre 1955 e 30 de abril de 1975.
 Colocou em confronto de um lado a República do Vietname (Vietname do Sul) e os Estados Unidos, com participação efetiva, porém secundária, da Coreia do Sul, Austrália, Filipinas, Nova Zelândia, República Khmer, Tailândia, e Reino do Laos. De outro lado, a República Democrática do Vietname (Vietname do Norte) e a Frente Nacional para a Libertação do Vietname (FNL) contavam com o apoio do Viet Cong (Grupo de Guerrilha simpatizante com o Governo Norte-Vietnamita), Khmer Vermelho (Movimento Partidário Comunista do Camboja), Pathet Lao (Movimento Partidário Comunista do Laos).

A República Popular da China, Coreia do Norte e a União Soviética, prestaram apoio logístico ao Vietname do Norte, mas não se envolveram efetivamente no conflito.
Em 1965, os Estados Unidos enviaram tropas para sustentar o governo do Vietname do Sul, que se mostrava incapaz de debelar o movimento insurgente de nacionalistas e comunistas, que se haviam juntado na Frente Nacional para a Libertação do Vietname (FNL).

Entretanto, apesar de seu imenso poder militar e econômico, os norte-americanos falharam nos seus objetivos, sendo obrigados a se retirarem do país em 1973 e dois anos depois o Vietname foi reunificado sob governo socialista, tornando-se oficialmente, em 1976, a República Socialista do Vietname.
 Durante o conflito, as tropas do exército da Vietname do Norte travaram uma guerra convencional contra as tropas norte-americanas e sul-vietnamitas, e as milícias da FNL menos equipadas e treinadas, lutaram uma guerra de guerrilha na região, usando as selvas do Vietname, espalhando armadilhas mortais aos soldados inimigos, enquanto os Estados Unidos se armaram de grande poder de fogo, em artilharia e aviação de combate, para destruir as bases inimigas e impedir suas ofensivas.

À excepção das linhas de combate ao redor dos perímetros fortificados de bases e campos militares, não houve nesta guerra a formação clássica de linhas de frente e as operações aconteceram em zonas delimitadas; missões de busca e destruição por parte das forças norte-americanas, com o uso de bombardeamentos maciços com armas químicas desfolhantes e sabotagens da guerrilha na retaguarda das zonas urbanas.
Travada com uma grande cobertura diária dos meios de comunicação, a guerra levou a uma forte oposição e divisão da sociedade norte-americana, que gerou os Acordos de Paz de Paris em 1973, causando a retirada das tropas do país do conflito.

Ela prosseguiu com a luta entre o norte e o sul do Vietname dividido, terminando em abril de 1975, com a invasão e ocupação comunista de Saigão, então a capital do Vietname do Sul e a rendição total do exército sul-vietnamita.
Para os Estados Unidos, a Guerra do Vietname resultou na maior confrontação armada em que o país já se viu envolvido, e a derrota provocou a Síndrome do Vietname em seus cidadãos e sua sociedade, causando profundos reflexos na sua cultura, na indústria cinematográfica e grande mudança na sua política exterior, até a eleição de Ronald Reagan, em 1980.

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“Back to Nam”

Há 9 anos atrás, quem é que em Portugal conhecia o conceito de “reenactment”? A resposta é simples: praticamente ninguém. Em 2004, a Guerra do Vietname regressava, mas desta vez, através do Airsoft e de uma forma bem mais divertida. Realizado em 2004 pelo Clube Airsoft Tomahawk, o “Vietname 6mm” vinha na sequência do estrondoso sucesso que a equipa tinha tido com a organização da “Operação Eldorado”. No entanto, a fama e reconhecimento adquiridos não facilitaram em nada a árdua tarefa de assentar as primeiras pedras da reconstituição histórica em Portugal. Levar a cabo um jogo desta natureza era uma ideia radical, tão radical que a comunidade nacional tentou boicotar o evento.

Nos dias que correm, qualquer jogo de fim-de-semana tem a liberdade de dividir jogadores por camuflados e os jogos de reconstituição histórica já são aceites de uma forma pacifica por todos, mas quando a ideia surgiu foi tudo menos pacifica. Os eventos eram sem restrições de qualquer ordem – até porque o número de jogadores era muito pequeno -, ao que um jogo que impunha determinadas exigências de fardamento pareceu tudo menos aceitável. Como é hábito nestas ocasiões, os fóruns ficaram ao rubro, os jogadores exigiam “um jogo aberto a todos” e quando os Tomahawk se recusaram a deitar o projeto por terra, mantendo os mínimos de rigor nos fardamentos, a resposta comunitária foi: não participar. Um boicote quase total a nível nacional.

O projeto seguiu em frente. Os Tomahawk eram na altura uma das maiores equipas nacionais, com cerca de 20 jogadores ativos, e isso garantia-lhes mínimos aceitáveis para levar a cabo qualquer jogo.

No entanto, estavam no fio da navalha. O jogo exigia duas facções, uma americana e uma vietnamita e ainda que divididos, qualquer oscilação de adesão poderia causar desequilíbrios difíceis de resolver. Com a fraquíssima adesão portuguesa (dois ou três independentes; os ainda hoje entusiastas da reconstituição “Black Dragons”; e os “Deadly Vipers” de Viseu), o evento apoiava-se numericamente sobretudo nos jogadores estrangeiros, a mencionar os belgas da “1/9th Airsoft Cavalry” experientes na reconstituição e integrantes do lado americano, e os espanhóis do “Command SBD” que já haviam participado no Eldorado, e constituíam o grosso das forças vietnamitas. Se uma destas equipas tivesse faltado ao compromisso, teria sido o desastre. Apesar de todas estas peripécias, o jogo realizou-se e foi um sucesso.

A comunidade nacional, que praticamente esteve ausente, acabaria por reconhecê-lo e as portas à reconstituição histórica estavam definitivamente abertas. Dois anos depois, o evento que havia inaugurado esta forma de encarar o Airsoft tinha a sua reedição. O “Vietname 6mm REDUX” voltou a reunir os veteranos da primeira edição, aos quais se juntavam agora muitos outros jogadores portugueses. A aceitação passou a ser global, com os participantes a assumir cada vez melhor o compromisso da reconstituição e a fasquia a ser colocada cada vez mais alta, não só pelas organizações mas sobretudo pelos participantes e entusiastas.

Foi por isso o tema do Vietname que inaugurou a reconstituição histórica em Portugal, conflito que continua a inspirar os nossos reconstituidores.

Em Setembro de 2009, os Screaming Eagles de Braga, organizavam em Braga, o “Vietcong – Sons of Kontum”, dando continuidade ao trabalho efetuado pelos Tomahawk em 2004 e relançando assim de novo o tema de reencenação do Vietname em Portugal. Assim como os Tomahawk, os Screaming Eagles tambem tiveram alguma dificuldade inicial em conseguir participantes a rigor, quer do lado Americano quer no lado Vietcong, mas contaram com a ajuda da loja Camuflado, que conseguiu arranjar uns packs e equipar todas as fações envolvidas neste evento.

Pela primeira vez, estreava-se a fação NVA (North Vietnamese Army) que estava bastante elaborada e diria que surpreendentemente fiel á personagem. Este evento contou tambem pela primeira vez com o primeiro grupo de MACV-SOG (The Military Assitance Command, Vietname, Studies And Observation Group) em Portugal, que estavam completamente a rigor e que abrilhantou e de que maneira o evento. A fação Vietcong foi praticamente toda ocupada pelos nossos amigos Espanhois, ao qual se esmeraram e compunham uma boa caracterização.

Desde 2009 que se tem feito eventos temáticos sobre a guerra do Vietname na Zona Norte de Portugal, em 2010 tivemos o “The TET Offensive” em Braga e o “Hamburger Hill” em Amarante, em 2011 o “Night Patrol” em Braga e em 2012 o “Men of War” na Maia. Tem-se notado que de ano para ano, tem aparecido mais aficionados, inclusive a rigor, o que tem contribuído e muito para que os eventos temáticos de reencenação do Vietname sejam mais ricos e interessantes.

Devo salientar o excelente grupo de reencenação MACV-SOG existente, assim como o grupo USN SEAL Team 1, e ainda alguns G.I.’s reencenado as 101st Airborne. Neste momento há já em Portugal um número significativo de adeptos para a reencenação da guerra do Vietname, que continua em forte crescimento. Esperamos assim, um dia destes arriscar um evento a nível internacional, tal como em 2004 organizado pelos Tomahawk.

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